Norte e Nordeste são alvo das grandes redes

Regiões atraem porque concentram consumo popular

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

26 de outubro de 2009 | 00h00

Junto com o Nordeste, a região Norte virou alvo de cobiça dos empresários do varejo pelo fato de ter um mercado pouco explorado e uma grande população de baixa renda. A Centauro, por exemplo, uma das gigantes do varejo de material esportivo, abriu a primeira loja em Manaus (AM) este ano. Até dezembro, inaugura outra loja em Belém (PA).

Sebastião Bomfim Filho, presidente do Grupo SBF, que reúne as marcas Centauro, By Tennis, Almax Sports e Nike Store, diz que traçou um cenário "excepcional" para 2010. Vai construir um novo centro de distribuição no Nordeste para atender as lojas da região e do Norte do País. Planeja abrir ao todo 42 lojas no ano que vem.

Os investimentos devem somar R$ 150 milhões. "Já temos 32 contratos assinados para abertura de novas lojas." As regiões Norte e Nordeste deverão receber um grande número de pontos de venda do grupo.

Além do crescimento da renda e do emprego, o empresário aponta a Copa do Mundo de 2010 como um dos principais fatores que sustentam o otimismo. "Copa do Mundo é como se fosse um outro Natal para nós", compara. O grupo espera faturar R$ 1,5 bilhão no ano que vem, com crescimento de quase 40%.

Para as Lojas Insinuante, líder na comercialização de eletroeletrônicos e móveis no Nordeste, a venda de TVs por causa da Copa do Mundo e a expansão da rede para outras regiões devem garantir o crescimento de 25% previsto para 2010.

Segundo o presidente da rede, Luiz Carlos Batista, a meta é faturar R$ 2 bilhões no ano que vem. Serão abertas 50 lojas, o maior número de pontos de venda inaugurados em um único ano. "Vamos privilegiar o Norte do País e o Rio de Janeiro."

SHOPPING CENTER

O interesse dos varejistas pelas regiões com grande contingente da classe C foi detectado pelo Grupo Sá Cavalcante, empreendedor de shopping centers. Leonardo Cavalcante, diretor superintendente do Grupo, conta que já vendeu 45% das 295 lojas de um shopping que está em fase de construção em São Luís, no Maranhão, e que será concluído em 2011.

"C&A, Renner, Riachuelo, Centauro e Etna são exemplos de redes que já fecharam contrato conosco", conta o empresário. Para ele, essa situação é totalmente atípica. "Normalmente, 60% da locação de um shopping novo ocorre no último mês", diz Cavalcante.

Segundo ele, especialmente os lojistas de grandes redes, estão pedindo mais lojas. Na opinião do executivo, o que motiva os empresários do comércio a ter esse comportamento é a cobiça pela classe C. "A classe C começou a comprar tudo e isso move a economia como um todo."

Além do shopping no Maranhão, o grupo tem mais três projetos em andamento, um Guarulhos (SP) e dois no Espírito Santo. Até o final de 2012 serão investidos R$ 953 milhões nos quatro projetos que irão abrigar 1.143 lojas. Hoje, o grupo tem dois shoppings em funcionamento, o Tijuca, no Rio, e o Praia Costa, no Espírito Santo. "Neste ano, não sentimos a crise nessas operações e crescemos até agosto 20% em vendas ante 2008."

Para o presidente da Lojas Riachuelo, Flávio Rocha, o crédito e as classes C e D, que menos sofreram com a crise, continuam sendo os grandes motores do crescimento do País.

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