Nos mercados de Cingapura, difícil é comer mal (e pouco)

Luxo você não vai encontrar. Mas se quiser comida boa, farta, barata, com infinitas combinações, o lugar certo é um dos agitados hawker food centers da cidade-Estado

Carolina Stanisci / CINGAPURA,

27 de abril de 2011 | 19h01

Comer nos mercados em Cingapura não é coisa de turista. É um hábito dos moradores locais, com motivação bem simples: a comida vendida nos hawker food centers, como são chamados os mercados de comida na ilha asiática, é saborosa, bastante variada e barata.

Por isso, quando visitar esta cidade-Estado não se interesse apenas pelos incontáveis arranha-céus e lojas de grife em cada esquina. Vá ao mercado. Além de comer bem, você vai se divertir e entrar na atmosfera local.

Não se deixe abater pela semelhança entre os salões lotados de mesinhas e repletos de ventiladores como as praças de alimentação de shopping centers. A aparência não é lá essas coisas, mas a comida ali é variada e geralmente preparada na hora. E a variedade de pratos é tão diversa quanto a procedência dos habitantes que povoaram a pequena ilha. Há exemplos de culinária chinesa, indiana, malaia, além de receitas de outras culturas, como a europeia e a árabe.

A cozinha cingapuriana típica não existe; ou melhor, é uma mistura de tudo isso. O grande diferencial, na cidade, é que as receitas feitas em outras partes da Ásia recebem uma cor local. E os mercados são o melhor lugar para provar alguns dos pratos mais populares: bak kut teh, fish head curry, chilli crab, roti prata, satay, fish ball noodles e rojak. São receitas feitas à base de porco, peixe, frutos do mar e, claro, dos sempre presentes noodles preparados de muitas maneiras - fritos, cozidos, com peixe, com camarão.

Esses clássicos da gastronomia dos hawkers ganham sabor com curry, capim-limão, cardamomo, canela, gengibre, gergelim, noz-moscada, coco, pimenta. A dose do tempero varia conforme a nacionalidade do cozinheiro. Descendentes de indianos carregam na pimenta. Famílias de malaios preferem o coco.

Mas comer nos boxes de mercados é um hábito relativamente novo em Cingapura. Esses centros são o resultado de uma política para organizar a cidade depois de sua independência, em 1965.

Antes disso, os hawkers (vendedores ambulantes - vem daí o nome "hawker food centers") carregavam a comida em trouxas de pano nos ombros, preparando os noodles de porta em porta. Com a independência, os vendedores foram agrupados em mercados. E a higiene no preparo foi aprimorada.

Hoje, entre as dezenas de mercados, é possível encontrar um que combine com seu gosto. Tem o "mais local" (insista para saber onde estão, pois o recepcionista do hotel talvez tente convencê-lo de que é "local" demais para um turista), o "mais turístico", o "mais bonito", o que tem "o melhor rojak" e o que faz "o melhor noodle". Alguns são fortes em carne de porco, outros mais conhecidos pela profusão de caranguejos e frutos do mar. Nenhum é confortável ou sofisticado, mas todos são limpos.

Em seus boxes de poucos metros quadrados, em geral, trabalham um cozinheiro e um atendente. A qualidade da comida se explica pelo frescor dos ingredientes: peixes recém-pescados, caranguejos ainda vivos e uma profusão de ervas e temperos. Dá vontade de provar tudo - uma semana por ali não foi suficiente para conhecer todas as especialidades. Em Cingapura diz-se que nem em dez anos se consegue.

Quem oferece os melhores pratos de mercado? A competição é velada. Mas há um guia especializado, o Makansutra, que elege anualmente os melhores pratos em várias categorias. Para o autor da publicação, K. F. Seetoh, só existem dois tipos de comida: a boa e a ruim. "Tudo o mais é bobagem", escreve.

E quando for a Cingapura, siga um conselho: antes de sair, é bom conferir na recepção do seu hotel o horário de funcionamento real dos mercados. Os comerciantes fecham e abrem suas lojas segundo a própria vontade, mesmo contrariando avisos nos boxes.

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