Nossa educação precisa de medidas reformadoras

Análise: Denis Mizne

, DIRETOR EXECUTIVO DA FUNDAÇÃO LEMANN, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2012 | 03h01

A divulgação do Ideb abrirá nova temporada de debates sobre a educação brasileira. A divulgação de dados confiáveis e comparáveis é talvez o maior avanço institucional que conseguimos nas últimas décadas. Boa parte da repercussão, contudo, será sobre quem está em primeiro, segundo ou último lugar nos rankings, quais as redes que conseguiram avançar e quais regrediram. Temos o desafio de pensar em como colocar no centro do debate o imperativo de que a sociedade precisa garantir que os alunos aprendam o que deveriam aprender.

Por qualquer ângulo, a conclusão é uma só: nossas redes não estão ensinando. Ainda que haja algum avanço nos anos iniciais - de 0,2 ponto em aprendizagem -, nos anos finais e no ensino médio o País está estagnado. Milhões de alunos que passam anos nas escolas, mas chegam ao final dos ciclos sem saber o esperado.

Esta "década perdida" mostra que medidas reformadoras precisam ser adotadas. A primeira é estabelecer o que tem de ser ensinado. Sem saber onde deve chegar, nenhum professor será capaz de construir boas aulas, nenhum diretor poderá liderar sua escola e nenhum gestor poderá estabelecer prioridades.

A segunda é garantir que tenhamos bons professores. O desafio é hercúleo, mas alguns pontos ajudariam: estabelecer critérios de progressão na carreira que levem em conta não os títulos, mas a capacidade do professor de dar boas aulas. Seria fundamental que a maioria dos professores tivesse jornada de 40 horas e ficasse fixa em uma escola. Por fim, precisamos de modelos híbridos de uso de tecnologia em sala de aula, que levem conteúdo de ponta a alunos e professores, e que permitam que diferentes alunos aprendam em tempos e metodologias diferentes.

A boa notícia é que sempre temos exemplos de escolas, municípios e até regiões que estão fazendo a lição de casa e conseguindo garantir o direito à educação de seus alunos. Se aceitarmos o desafio presidencial de sermos avaliados como País por aquilo que fazemos por nossas crianças e adolescentes, temos de enfrentar os debates difíceis e promover uma revolução na educação brasileira.

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