Nova ala do Museu do Prado tira peças do depósito

Ampliação vai permitir exibição de obras guardadas por falta de espaço

Anelise Infante, BBC

31 de outubro de 2007 | 09h30

O Museu do Prado, a maior pinacoteca do mundo, inaugura uma nova seção de 22 mil metros quadrados nesta semana. A ampliação vai permitir ao público ver peças que estavam guardadas por falta de espaço. Para a exposição de abertura foram escolhidas pouco mais de cem obras: os Mestres do século XIX do Prado. São 95 pinturas, 12 esculturas e 27 desenhos, com destaque para peças de Goya, Velázquez e El Greco que passam a ter mais salas próprias. Segundo o diretor do Museu, Miguel Zugaza, o Prado se moderniza. "Não é um exagero dizer que este é o pai de todas as pinacotecas de arte antiga do mundo. Mas era impossível reunir nosso acervo. Agora resgatamos um tesouro que deslumbrará ainda mais os nossos visitantes. Nos renovamos, ampliando o espaço e oferecendo outras possibilidades ao público", disse Zugaza. As obras expostas são conhecidas, mas estavam guardadas havia mais de 10 anos. Com um acervo de mais de 9 mil objetos (além de outros 3,5 mil emprestados a outras instituições internacionais) foi preciso anexar edifícios históricos como um claustro da Igreja dos Jerônimos para ampliação. A exposição dos Mestres do Prado foi criada para homenagear seus principais artistas: Goya, Velázquez e El Greco e celebrar os 188 anos de abertura do museu ao público. "Diríamos que é um ciclo da arte espanhola, (que vai) dos últimos anos de Goya até a data de nascimento de Picasso", explicou o curador José Luiz Díez. As maiores jóias da mostra são as obras de Francisco de Goya. O pintor neoclássico se destaca com o quadro A Marquesa de Santa Cruz e uma série de desenhos inspirados em touradas. A pintura Dona Isabel, a católica, ditando seu testamento, de Eduardo Rosales, também ganhou destaque. Considerado pelo curador um "tesouro do Prado", o quadro chama a atenção pelas medidas: pesa 250 quilos. A ampliação do Prado custou 113 milhões de euros (aproximadamente R$ 300 milhões) e demorou 10 anos para ficar pronta. O museu agora conta com novas áreas para os visitantes e especialistas, como salas de restauração com 840 metros quadrados, depósitos de obras de arte e gabinetes de desenho. O público, que só no ano passado chegou a 2,16 milhões de pessoas, ganha cafés, lojas, auditório e salas de conferência. Durante as comemorações da ampliação, que começam nesta quarta e terminam em maio de 2008, haverá concertos de música clássica, ambientação teatral nas salas (inspirada nos personagens da época retratados no museu), cinema (sobre história) e aulas de criação literária. O Museu do Prado também passará a oferecer visitas gratuitas. A partir de novembro a entrada será grátis nas duas últimas horas, de terça a domingo. Ou seja, quem chegar depois das 18h (o museu fica aberto até as 20h) não paga. A entrada habitual custa 6 euros (cerca de R$ 15).

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