Nova crise do euro teria efeito 'limitado' na América Latina, diz FMI

Mesmo se turbulência voltar, efeitos na América Latina e no Brasil seriam limitados, afirma relatório.

Pablo Uchoa, BBC

17 Abril 2012 | 10h09

Mesmo se a crise na zona do euro voltar a recrudescer, os efeitos dela na América Latina e no Brasil seriam limitados, avalia um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado nesta terça-feira.

Com as exportações de produtos básicos mais voltadas para a China, os fluxos de capital financeiro retornando e um conjunto de bancos internacionais com grande grau de autonomia em relação a suas matrizes, a região está relativamente protegida de um choque no outro lado do Atlântico, diz o órgão.

O primeiro capítulo do Panorama Econômico Internacional (World Economic Outlook) observa que a região sentiu os efeitos da crise na zona do euro tanto na sua corrente de comércio quanto em seus sistemas financeiro e bancário, mas estes efeitos foram apenas "limitados".

Da mesma forma, avalia o estudo, "o contágio da região por causa de uma crise renovada na Europa deve ser limitada".

A América Latina e a África ao sul do Saara são as regiões menos expostas a essa vulnerabilidade, na visão do FMI. Na Europa e no Norte da África estes efeitos seriam ou "muito fortes" ou "fortes".

Entretanto, ressalvou o Fundo, os fluxos de capital para a região, no momento em que os índices de inflação estão novamente em alta, merecem a atenção dos governantes.

Para o FMI, os países devem tirar lições das políticas de cautela adotadas durante o mais recente fluxo de recursos externos.

Fonte: FMI, World Economic Outlook, Abril/2012

"Seria prematuro relaxar as políticas enquanto a inflação permanecer próxima do teto das metas e os riscos tenderem a pressionar para cima", recomenda o estudo, que ressalta os riscos em especial da Venezuela e Argentina.

"Oscilações recentes dos fluxos de capital são um argumento poderoso para que os governos da região continuem a fortalecer seus marcos de prudência, a fim de estar preparados para futuras bolhas ou estouros destes fluxos."

Passo lento

Nos dois capítulos do relatório divulgados na terça, o FMI alerta que "os riscos para a economia global permanecem elevados", apesar de os indicadores mostrarem uma lenta recuperação do revés sofrido em 2011.

O estudo avalia que a melhora recente "é muito frágil" e que só em 2013 a economia global voltará a crescer por volta de 4%.

A zona do euro deve entrar em uma leve recessão nos próximos meses, encerrando o ano com uma retração econômica de -0,3%.

Já o crescimento latino-americano, de 4,5% no ano passado, deve desacelerar para 3,7% em 2012.

Para o Brasil, o Fundo mantém projeções semelhantes às divulgadas em janeiro. O órgão projeta um crescimento para a economia brasileira de 3% neste ano - abaixo da média latino-americana - e de 4,1% em 2013.

Após uma década se beneficiando da rápida expansão do crédito e da alta das commodities, as economias emergentes devem permanecer em alerta.

O preço dos produtos agrícolas deve continuar caindo neste ano e o crédito "não pode continuar a se expandir no atual ritmo sem levantar preocupações sérias em relação à qualidade dos empréstimos". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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