Nova técnica reduz radioatividade do lixo nuclear

O físico Claus Rolfs e seu grupo na Universidade de Ruhr, em Bochum, na Alemanha, tentavam recriar as reações nucleares que ocorrem no centro das estrelas. Ao usar um acelerador de partículas, os pesquisadores perceberam que a quantidade de fusões nucleares aumentava, desde que o núcleo atômico estivesse envelopado por uma liga metálica resfriada a baixíssimas temperaturas. Como o decaimento radioativo de um elemento químico é o processo inverso ao da fusão - as partículas, no primeiro caso, são emitidas pelos núcleos - surgiu a idéia de usar o processo para, em vez de aumentar a fusão, provocar uma aceleração da curva de decaimento do material. Os cálculos iniciais, descritos em artigo que será publicado na edição de agosto da Physics World, são promissores. Os testes foram feitos com o rádio-226, elemento radioativo bastante presente no lixo nuclear e que tem uma meia-vida de 1,6 mil anos. Segundo o estudo, o encapsulamento metálico e a exposição a temperaturas bastante baixas poderia fazer com que a capacidade radioativa deixasse de existir em cem anos. Mas os pesquisadores não descartam a hipótese de que essa queda possa ser ainda maior. O método que está sendo proposto, de acordo com Rolfs, coloca o produtor do lixo atômico e a vida útil desse tipo de resíduo em uma mesma escala cronológica. ?Não é justo deixarmos nossos tataranetos pagar a conta pelo estilo de vida atual?, disse o pesquisador, em comunicado do Institute of Physics, instituição sem fins lucrativos com mais de 35 mil membros em todo o mundo e responsável pela publicação da revista Physics World. Rolfs destaca que os testes feitos até agora são apenas iniciais. Muitas outras pesquisas precisarão ser feitas para que o método possa ser usado em larga escala. Mas o otimismo do grupo de estudos em Bochum é grande. ?Não acredito que haverá nenhuma barreira técnica intransponível?, disse o físico alemão.

Agencia Estado,

01 de agosto de 2006 | 13h59

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