Nova tempestade agrava drama em Mianmar

Militares garantem que operações de ajuda ocorrem sem problemas aos 2,5 milhões de afetados pelo ciclone

AUNG HLA TUN, REUTERS

16 de maio de 2008 | 08h50

Chuvas torrenciais atingiram nesta sexta-feira, 16, o delta do rio Irrawaddy, no sul de Mianmar, agravando ainda mais a situação de cerca de 2,5 milhões de afetados pelo ciclone Nargis e atrapalhando o já lento trabalho de auxílio oferecido pelo regime militar local. Em Kunyangon, cerca de 100 quilômetros a sudoeste de Rangun, milhares de homens, mulheres e crianças, expostos à chuva e a lama, pedem ajuda sempre que passa qualquer veículo.   Veja também: Mianmar anuncia que punirá todos que venderem ajuda Apesar dessas cenas, os generais que mandam no país garantem que as operações de auxílio transcorrem com tranquilidade, embora o regime tenha publicado nesta sexta, na imprensa estatal, um alerta de que haverá processo judicial contra quem for flagrado vendendo mantimentos doados ou fazendo especulação de preços. Há rumores de que soldados estariam se apropriando de caminhões com água, alimentos e cobertores. Já houve casos de cólera entre os sobreviventes do ciclone, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que a incidência é a mesma de outros anos. Em alguns monastérios, escolas e outros abrigos para refugiados também há casos de desinteria e infeções cutâneas. A OMS afirmou que, em casos de desastre natural, o auge da ameaça de epidemias ocorre num prazo de 10 a 30 dias. O Nargis passou pelo delta há 14 dias. O comissário europeu de Ajuda Humanitária, Louis Michel, reuniu-se na quinta-feira com ministros birmaneses em Rangun e pediu a eles que autorizem a entrada de mais equipamentos e funcionários humanitários estrangeiros. Mas saiu do encontro frustrado, inclusive porque horas antes os generais haviam sinalizado a intenção de não recuar nas restrições. "As relações entre Mianmar e a comunidade internacional são difíceis", afirmou ele à Reuters. "Mas isso não é problema meu. A hora não é para discussão política. A hora é de entregar ajuda para salvar vidas." Potências estrangeiras sugerem que o regime militar, em vigor há 46 anos, está dificultando o acesso de estrangeiros ao delta por questões políticas. A Cruz Vermelha diz que o ciclone matou até 128 mil pessoas.

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