Nova Zelândia quer incrementar turismo com estreia de Hobbit

Governo espera crescimento de R$ 800 milhões com novos visitantes trazidos pelo filme.

Albert Steinberger, BBC

28 de novembro de 2012 | 10h45

A Nova Zelândia quer aproveitar o sucesso do filme Hobbit: uma jornada inesperada - a pré-estreia mundial nesta quarta-feira na capital Wellington atraiu cerca de cem mil visitantes - para aumentar o turismo em todo o país.

Tony Evritt, representante da secretaria de Turismo da Nova Zelândia, disse esperar que o crescimento na receita do setor possa chegar aos US$ 400 milhões (equivalente a R$ 800 milhões).

Para isso, o governo tem investido pesado na febre dos Hobbits. Somente para a pré-estreia, a municipalidade de Wellington gastou US$ 820 milhões (equivalente a R$ 1,6 milhão) e a cidade foi rebatizada de "Meio da Terra Média", uma referência ao mundo fictício criado pelo autor J R R Tolken.

The Hobbit, escrito por Tolken, conta a história da origem do famoso Senhor dos Anéis, cuja trilogia cinematográfica faturou quase US$ 3 bilhões em todo o planeta.

Festa e turismo

Wellington se preparou para o evento em grande estilo, com ruas decoradas e telões exibindo os três filmes da série Senhor do Anéis. Barraquinhas venderam produtos ligados ao filme e foi realizado um concurso de fantasias.

A fazenda onde foram filmadas as cenas das casas dos personagens, os Hobbits, virou uma grande atração turística e foi batizada de Hobbiton.

O local foi usado, tanto nos filmes da trilogia do Senhor do Anéis, quanto no novo filme e hoje os turistas podem visitar os sets de filmagem, que incluem a casa do protagonista do novo filme, Bilbo, o bolseiro.

"Desde a reconstrução do set, tem havido um aumento constante no número de visitantes. De 30 mil no ano passado, esperamos receber mais de 100 mil este ano", disse à BBC Brasil, Kristen Madill, uma das gerentes da Hobbiton.

A fazenda foi descoberta pelo diretor de Senhor do Anéis, Peter Jackson, quando buscava de avião a locação perfeita para filmar a trilogia. Há dois anos, a área foi transformada em atração turística, com as casas refeitas com materiais mais resistentes para que o local tenha durabilidade.

O primeiro filme da nova trilogia sobre os Hobbits demorou mais de cinco anos para ser concluído e enfrentou diversos problemas, o que fez com que executivos ligados à produção sugerissem que a filmagem fosse feita na Grã-Bretanha.

Entre os contratempos, os produtores tiveram que enfrentar problemas no financiamento, polêmicas sobre o salário dos atores e, até mesmo, acusações de maus-tratos e mortes de animais, o que foi negado pelos produtores do filme.

O primeiro filme da trilogia Hobbit terá lançamento mundial em 14 de dezembro. A sequência está prevista para 13 de dezembro 2013 e o último deve chegar às telas em 18 de julho de 2014.

Identidade neo-zelandesa

Os filmes mostram paisagens paradisíacas de diversas partes da Nova Zelândia e toda a série possui uma forte identidade com o país, de onde, inclusive, vem o diretor Peter Jackson.

A secretaria de Turismo quer explorar esta ligação e aponta vários locais para os aficionados que quiserem explorar o universo Hobbit.

Entre as regiões onde estão as locações escolhidas para a filmagem da nova trilogia estão Otago, a área de Nelson Tasman e o platô central do país.

Cerca de 2 mil moradores locais trabalharam na produção e o governo diz que, além do turismo, o filme ajudou também o desenvolvimento de profissionais especializados em tecnologia digital.

A secretaria de Turismo alardeia a consolidação do país como a Hollywood da região sul do Pacífico e diz que os profissionais que trabalharam no filme estariam sendo usados em outras áreas, como exames contra câncer de mama, que usam técnicas digitais.

O impacto da trilogia deve chegar até mesmo à indústria de bebidas da Nova Zelândia, já que a empresa Good George, original da cidade de Hamilton, ganhou o direito de produzir a cerveja oficial dos Hobbits. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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