Novas pesquisas reavaliam a taxa de expansão do Universo

Os cientistas concordam que o Universo está em expansão, com as galáxias se afastando uma das outras segundo o princípio proposto por Edwin Hubble em 1929. Essa expansão levou à formulação da teoria do Big Bang: se as coisas estão se afastando, faz sentido supor que, no passado, estivessem todas num mesmo lugar. Sabendo qual a taxa da expansão, é possível calcular o instante em que a distância era mínima - e, com isso, estimar a idade e o tamanho do Universo.Estudos recentes, porém, põem em dúvida o valor conhecido dessa taxa - a chamada constante de Hubble, determinada quando se divide a velocidade com que as galáxias se afastam de nós pela distância que nos separa delas.Na semana passada, um grupo internacional de astrônomos anunciou ter determinado que a Galáxia Triângulo, ou M33, está 15% mais distante da Via Láctea do que se supunha. A descoberta implica que a constante de Hubble pode estar errada, pela mesma margem. Com isso, o Universo poderia ser 15% maior e 15% mais velho do que se estima hoje.O valor tradicionalmente aceito para a constante é de 72 km/s por megaparsec (um megaparsec equivale a 3,26 milhões de anos-luz). Se o valor for 15% menor, conforme a análise da distância até M33 sugere, o valor da constante chegaria a 61,2. Mas agora outra equipe, usando o Telescópio de Raios-X Chandra, da Nasa, diz ter determinado o valor da constante de Hubble por um método independente dos utilizados anteriormente. A equipe do Chandra, chefiada por Max Bonamente, do Centro de Vôo Espacial Marshall, da Nasa, encontrou um valor mais próximo do tradicional: 77, mas com uma incerteza de 15%.Marshall Joy, um membro da equipe de Bonamante, destaca que seus colegas usaram um método "totalmente independente" das medidas anteriores, e que o resultado confirma que a idade do Universo deve estar entre 12 bilhões e 14 bilhões de anos. No entanto, se os resultados do grupo que fez a medição da distância até M33 estiverem corretos, a verdadeira idade do Universo estará mais próxima dos 16 bilhões de anos.Cientistas esperam novas medições para cravar a constante de Hubble, mas a perspectiva atual parece ser esperar que o valor final acabe mesmo na faixa dos 70 e poucos. O astrofísico Edward Guinan, ouvido pelo serviço ScienceNOW, da revista Science, pondera que o estudo que encontrou o erro de 15% na distância até M33 foi "bem feito, e por uma boa equipe", mas "analisou apenas uma estrela". Ele diz esperar que, quando todas as observações e contas tiverem sido feitas, a galáxia "vai voltar para mais perto".

Agencia Estado,

08 de agosto de 2006 | 15h54

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