Novas variedades ampliam período de cultivo

Além do recém-lançado alvorada, rosinha e mulatinho ressurgem com os nomes de galante e centauro

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2009 | 01h14

O agricultor Tamoto Chayamiti, de 70 anos, de Capão Bonito, vai plantar o alvorada na próxima safra. Na semana passada, ele colhia 30 hectares do carioca pérola que tinha plantado com os filhos Cláudio e Reinaldo na safra da seca. O rendimento era de 45 sacas por hectare. Chayamiti reclamava, porém, da queda no preço: a saca de 60 quilos estava cotada em R$ 65 na região.

No ano passado, eles chegaram a vender por R$ 160 a saca, mas teve produtor na região que obteve até R$ 280. Ele e os filhos colhem duas safras anuais de feijão. O próximo plantio será feito em agosto, nas águas. Durante o inverno, a área será arrendada para um produtor de trigo.

MOSCA BRANCA

A safra da seca, na região, teve o plantio reduzido por causa da mosca branca, uma praga da cultura. "A infestação é alta porque a mosca dribla as pulverizações hospedando-se nas lavouras de soja", explica o agrônomo Nélio Uemura, da Cooperativa Agrícola de Capão Bonito. Segundo ele, graças às novas variedades e tecnologias, os períodos de cultivo se tornaram mais elásticos.

O produtor João Soares de Proença, por exemplo, tinha uma lavoura recém-plantada e colhia outra, de 130 hectares. Conforme Uemura, a maioria dos produtores de feijão também cultiva outros grãos, como soja, milho e trigo.

O feijão carioca foi desenvolvido pelo IAC no fim da década de 70 e foi uma revolução. Agora, o IAC decidiu resgatar duas variedades de feijão que perderam mercado com o advento do carioca: o rosinha e o mulatinho. Os cultivares ressurgem aperfeiçoados, resistentes a males como a antracnose, mais produtivos e com novos nomes: galante e centauro, respectivamente. As sementes estão disponíveis nas Casas da Agricultura.

De acordo com Carbonell, o feijão brasileiro tem um futuro promissor. "O consumo tem se mantido e os recursos aplicados em pesquisa aumentaram."

Em 2007, a produção nacional, de 3,2 milhões de toneladas, foi insuficiente para um consumo interno de 3,4 milhões de toneladas. O feijão é cultivado em todo o Brasil, mas 72% da produção está concentrada nos Estados do Paraná, Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Goiás e Santa Catarina.

No País, o plantio da primeira safra (da seca) chegou a 1,43 milhão de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A produção de 1,4 milhão de toneladas foi 11,8% maior. Conforme a pesquisa, produtores que tinham migrado para outras culturas voltaram a plantar feijão. A redução de área no Paraná e Santa Catarina foi compensada pelos ganhos expressivos na produção registrados em São Paulo, Minas e Goiás.

INFORMAÇÕES: IAC, tel. (0--19) 3231-5422, ramal 129

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