Novo bombardeio sírio mata 41 em Hama, diz oposição

Ativistas sírios disseram nesta segunda-feira que as forças do presidente Bashar al Assad mataram pelo menos 41 pessoas, incluindo oito crianças, durante ataques de artilharia nas últimas 24 horas contra a cidade de Hama.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

28 Maio 2012 | 09h38

O relato, que não pôde ser verificado de forma independente, surge depois de o Conselho de Segurança da ONU ter condenado o massacre de pelo menos 108 civis, muitos deles crianças, na localidade síria de Houla, na sexta-feira, a despeito do cessar-fogo em vigor há seis semanas na Síria.

Fontes da oposição disseram que tanques e blindados sírios abriram fogo no domingo em vários bairros de Hama, depois de ataques cometidos por rebeldes do Exército Sírio Livre contra bloqueios viários e outras posições do governo.

Em nota, o Conselho da Liderança da Revolução em Hama disse que "disparos de tanques derrubaram vários edifícios. Seus moradores foram retirados dos escombros". A nota disse que havia cinco mulheres entre os mortos.

Os ativistas da oposição disseram que as forças de Assad bombardearam Houla depois de um protesto, e então entraram em confronto com membros da insurgência sunita que tenta derrubar Assad, membro da seita minoritária alauita.

CONDENAÇÕES

Governos árabes e ocidentais contrários a Assad culparam o governo sírio pelas mortes em Houla. Damasco atribuiu a ação a "grupos terroristas armados". Rússia e China, que vetaram duas resoluções do Conselho de Segurança propondo ações mais incisivas contra o regime sírio, condenaram o massacre, mas sem atribuí-lo diretamente às forças de Assad.

"A China se sente profundamente chocada pelo grande número de vítimas civis em Houla, e condena nos mais duros termos as cruéis mortes de cidadãos ordinários, especialmente mulheres e crianças", disse Liu Weimin, porta-voz da chancelaria chinesa.

O Conselho de Segurança "condenou nos mais duros termos as mortes, confirmadas por observadores das Nações Unidas, de dezenas de homens, mulheres e crianças, e o ferimento de centenas de outros na aldeia (de Houla), perto de Homs, em ataques que envolveram uma série de disparos de artilharia e tanques do governo contra um bairro residencial", disse a declaração da ONU, que não tem o mesmo valor de uma resolução de cumprimento obrigatório.

"Tal uso ultrajante da força contra a população civil constitui uma violação da lei internacional aplicável e dos compromissos do governo sírio conforme as Resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas", acrescentou o texto.

O mediador internacional Kofi Annan desembarcou em Damasco nesta segunda e irá se reunir na terça-feira com o presidente Bashar al Assad.

(Reportagem adicional da redação de Amã)

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