Novo mediador na Síria aceita papel, mas não pede saída de Assad

O diplomata argelino prestes a se tornar o novo mediador internacional na Síria afirmou que precisa esclarecer urgentemente que tipo de apoio será oferecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e falou que é muito cedo para dizer se o presidente Bashar al-Assad deve renunciar.

MIRNA SLEIMAN, Reuters

18 de agosto de 2012 | 12h59

O diplomata veterano Lakhdar Brahimi deu as declarações um dia após a ONU confirmar que ele assumirá o cargo de Kofi Annan como mediador. Annan, que deixa o posto no fim deste mês sem sucesso em sua tentativa, renunciou reclamando que divisões dentro do Conselho de Segurança da entidade atrapalharam seu trabalho.

Brahimi deixou claro que está ciente do problema no Conselho de Segurança e que, portanto, precisa urgentemente esclarecer que suporte a ONU oferecerá ao seu trabalho para assegurar que a missão tenha maior chance de êxito.

"Quando eu for a Nova York, perguntarei muitas coisas. Como nos organizar, com quem falaremos e que tipo de plano traçaremos?", disse o diplomata à Reuters em uma entrevista por telefone, neste sábado.

Brahimi assume o papel, descrito como "missão impossível" por um diplomata francês, em um momento em que a violência entre as forças do governo e os rebeldes está em seu ponto máximo e sem sinais de um cessar-fogo.

Mais de 18 mil pessoas morreram e cerca de 170 mil deixaram o país desde o início dos conflitos, de acordo com a ONU.

O Conselho de Segurança continua altamente dividido, com Rússia e China vetando sanções a Assad, sob o argumento de que o Ocidente está tentando derrubar o governo sírio. Três outros membros permanentes do Conselho -- Estados Unidos, Grã-Bretanha e França -- são favoráveis a duras sanções.

Brahimi afirmou que vai para Nova York na próxima semana para aceitar oficialmente sua missão e, depois, irá ao Cairo para se encontrar com o chefe da Liga Árabe, Nabil Elaraby.

Descrevendo a situação síria como "absolutamente terrível", o diplomata disse que fará o seu melhor para encerrar os 17 meses de conflito.

Ele evitou, no entanto, declarar se achava que Assad tinha de renunciar, algo que contrastou com a postura de Annan, que chegou a dizer que o líder sírio "precisava deixar o cargo".

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