Novo parque industrial deve criar milhares de empregos no Haiti

O Haiti e seus parceiros internacionais anunciaram na segunda-feira a construção de um parque industrial de 257 milhões de dólares, no que será o maior investimento estrangeiro no país desde o catastrófico terremoto de janeiro de 2010.

JOSE, REUTERS

29 de novembro de 2011 | 09h17

O Parque Industrial Caracol terá 246 hectares e ficará na costa noroeste do país caribenho, o mais pobre das Américas. Sua "âncora" será a empresa têxtil sul-coreana Sae-A Trading Co Ltd, que se comprometeu a contratar 20 mil operários, tornando-se assim o maior empregador do país.

O presidente haitiano, Michel Martelly, disse que o parque pode gerar até 65 mil empregos, o que representará um aumento de 200 por cento na força de trabalho do setor têxtil local.

Martelly agradeceu aos doadores internacionais que forneceram água e comida aos desabrigados do terremoto de 2010, que matou até 300 mil pessoas. Milhares de haitianos continuam vivendo em barracas por causa da tragédia.

"Queremos agradecê-los, mas isso precisa mudar. Hoje, eis o modelo de investimento do qual os haitianos precisam (com a ajuda) dos amigos do Haiti", disse Martelly. "Este modelo de investimentos permitirá que os haitianos se orgulhem. Eles vão trabalhar, vão receber salário e vão comprar sua própria comida e água."

A Sae-A vai investir 78 milhões de dólares na primeira fase do projeto. O governo dos EUA irá contribuir com 124 milhões de dólares, e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com 55 milhões. O governo cedeu o terreno do parque industrial em Caracol, a cerca de 25 quilômetros da cidade portuária de Cap Haitien.

As operações devem começar em março. O projeto inclui a construção de estradas, de uma usina elétrica e de moradias.

A Sae-A fornece roupas para redes norte-americanas como Wal-Mart, Target e Gap. Os responsáveis pelo projeto esperam que o parque industrial atraia outras empresas do setor têxtil, que poderiam se beneficiar das preferências comerciais dadas pelos EUA para roupas de fabricação haitiana.

O governo local está tentando levar também fabricantes de móveis e produtos eletrônicos para o parque.

O ex-presidente norte-americano Bill Clinton, enviado especial da ONU para o Haiti, participou da cerimônia de lançamento do projeto. "O governo haitiano ofereceu incentivos reais para que as pessoas venham aqui, e agradeço a todos os líderes empresariais que estão conosco hoje", disse Clinton. "Este parque industrial é o resultado de as pessoas trabalharem juntas. O Haiti está aberto aos negócios, porque as pessoas estão trabalhando juntas."

Clinton acrescentou que, para cada emprego direto gerado no parque, outro emprego indireto deve ser criado na economia haitiana.

O BID estima que o projeto irá trazer ao Haiti mais de 500 milhões de dólares em salários e benefícios ao longo de uma década, e que o salário de cada trabalhador será mais do que o triplo da renda per capita haitiana, que está em 2.400 dólares por ano. O banco acrescentou que o projeto pode elevar em pelo menos 20 por cento o número de empregos no setor privado formal.

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