Novo presidente da CNI será de Minas Gerais

Os mineiros finalmente conseguiram chegar à presidência da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), onde, desde 1954, há uma espécie de rodízio entre paulistas e nordestinos. O presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e do grupo Orteng, Robson Andrade, será o candidato da chapa única nas eleições para suceder o atual presidente, o deputado federal Armando Monteiro Neto, de Pernambuco.

Ivana Moreira, BELO HORIZONTE, O Estadao de S.Paulo

09 de março de 2010 | 00h00

A eleição será em maio e o novo presidente toma posse em outubro. Na prática, porém, Andrade poderá assumir o comando da CNI a partir de 1º de junho. Armando Monteiro Neto deixará o cargo para disputar uma vaga ao Senado pelo PTB. O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que é vice-presidente, deveria assumir o lugar como interino. Mas também tem pretensões políticas e vai se afastar da CNI.

Nos bastidores da política mineira, há quem garanta que a ascensão de Robson tem relação com as pretensões nacionais do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). Conhecido por implementar um modelo de gestão pública em parceria com o empresariado mineiro, Aécio precisava ter como aliada uma entidade de repercussão nacional. E, em termos de repercussão, só mesmo a CNI para conseguir espaço na mídia equivalente ao da Fiesp, já que a voz da Fiemg não costuma ser ouvida fora de Minas.

Robson Andrade jura que sua indicação à sucessão de Armando Monteiro Neto não tem relação com Aécio. "Claro que, em Minas, a gente tem muito orgulho do que fez o governador Aécio, mas a CNI não tem relação com política." Coincidência ou não, diante de 3 mil convidados de todo o País - entre eles José Serra - na semana passada, durante a solenidade de inauguração do novo centro administrativo do Estado, Aécio Neves fez questão de registrar que Robson Andrade levaria Minas Gerais ao comando da CNI.

O presidente do grupo Orteng, que atua no setor de energia e faturou R$ 600 milhões no ano passado, foi ganhando terreno nos últimos oito anos em que ocupou a presidência da entidade mineira. A pedido de José Alencar, um ex-presidente da Fiemg, Robson Andrade foi o primeiro líder de entidade industrial a declarar apoio, em 2002, ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. E, ao mesmo tempo, o primeiro a encarnar o que acabou sendo apelidado de "Lulécio"- o apoio ao petista Lula à Presidência da República e ao tucano Aécio para o Palácio da Liberdade.

O último mineiro que ocupou a presidência da CNI foi também o fundador e primeiro presidente da entidade. Euvaldo Lodi esteve no comando da confederação entre 1938 e 1954. Eleição com chapa única, mandatos longos, além da alternância entre paulistas e nordestinos, são marcos na história da entidade que, há dois anos, completou 70 anos de atuação.

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