Novo presidente sul-coreano promete priorizar economia

O presidente eleito da Coréia do Sul, LeeMyung-bak, prometeu na quinta-feira que dará prioridade àeconomia e não se intimidará em mandar a Coréia do Norteresolver seus problemas com armas nucleares e direitos humanos. Na quarta-feira, Lee tornou-se por ampla margem o primeiroempresário sul-coreano eleito para a Presidência. O resultadodeu um breve estímulo às ações de empresas do país,especialmente nos setores de construção e finanças, que devemser num primeiro momento os maiores beneficiários de um governoconservador. O won também se valorizou. "Vou criar um ambiente em que as empresas se sentirãoconfiante em fazer investimentos", disse Lee na sua primeiraentrevista coletiva após a eleição. Mas economistas alertam que, num momento de preocupaçãoglobal com o crédito e a liquidez, Lee pode ter dificuldades emcumprir sua promessa de promover um crescimento anual de 7 porcento, já que a economia depende tanto das exportações.Atualmente, o crescimento do PIB sul-coreano é da ordem de 4,5por cento ao ano. Por isso a euforia nas Bolsas foi tão efêmera, pois logo osoperadores passaram a se preocupar mais com os problemasglobais. O índice KOSPI, da Bolsa de Seul, fechou aquinta-feira com baixa de 0,9 por cento, depois de registraralta de até 1,1 por cento ao longo do dia. A respeito da Coréia do Norte, Lee prometeu rever apolítica tolerante de seu antecessor, Roh Moo-hyun. "A forma de a Coréia do Norte avançar é abrindo mão de seusprogramas nucleares", disse Lee, que deseja que a ajuda ao paísvizinho esteja estritamente ligada ao fim do programa nuclearlocal. "Se tentarmos apontar com afeto as deficiências da Coréiado Norte, acho que isso vai ajudar muito na melhoria dasociedade norte-coreana", acrescentou Lee, que já se reuniu comos embaixadores dos Estados Unidos e do Japão -- aliadosimportantes da Coréia do Sul, mas com os quais o governo de Rohmantém uma relação às vezes tensa. Ex-executivo-chefe do braço do grupo Hyundai para aconstrução civil, Lee tem especial apreço por grandes obraspúblicas, o que, junto com seu estilo político decidido, lhevale o apelido de "escavadeira." Ele certamente sofrerá pressão para apresentar resultadoseconômicos rápidos, diante da crescente competição de China eJapão e das dificuldades em convencer grandes empresas locais ainvestirem na própria Coréia do Sul. Analistas dizem que, além das promessas econômicas, Leecaiu no gosto do eleitorado por se apresentar como um pai dequatro filhos, de origem miserável, que aos 36 anos já dirigiauma das maiores empreiteiras do país. Por outro lado, ele é acusado de envolvimento numa fraudecom seguros, problema que voltou a lhe assombrar pouco antes daeleição, quando o Parlamento, dominado por liberais, concordouem promover uma investigação do caso, que entretanto não deveser concluída antes da posse do novo presidente, em 25 defevereiro -- depois disso, ele recebe imunidade.(Reportagem adicional de Jack Kim, Jon Herskovitz, Jessica Kim,Kim Soyoung e Yoo Choonsik em Seul e Chisa Fujioka em Tóquio)

JONATHAN THATCHER, REUTERS

20 de dezembro de 2007 | 09h22

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