Novos ares } } Aumentou muito o interesse das pessoas em comprar arte

Ele chama os artistas de 'caras', com um despojamento que, nem de longe, parece falta de profissionalismo. Talvez seja coisa de quem cresceu rodeado por arte. E, por isso, a encara com respeito, porém sem formalidades. Há dois anos, João Grinspum Ferraz mantém firme a Transversal, em um mercado que ganha muitos compradores, mas também muitos galeristas. Trabalho que só dá frutos - hoje (15), ele inaugura uma nova unidade de sua galeria, em um galpão na Vila Madalena. Marina Vaz

O Estado de S.Paulo

15 de março de 2013 | 02h12

Você tem uma coleção particular de arte. Quais critérios adota para comprar uma obra? É algo bem intuitivo. Mas me interesso muito por essa turma dos anos 80 de São Paulo - todos os caras da Casa Sete; a Ester Grinspum, que é minha tia; a Célia Euvaldo; o Paulo Pasta... Mas tem também um artista da década de 20, da Escola de Paris, que coleciono, tenho um monte de trabalho dele, que é o Kikoïne. Minha coleção é meio desordenada.

E também é intuitiva a escolha dos artistas que você convida para fazer parte da galeria? Tem um gosto, uma preferência, um olhar que foi formado ao longo dos anos - não sei muito bem de que forma, nem se ele é bom ou ruim. Só não segue um critério fixo. Tem que ser uma coisa que você sente. Sente que o artista é sério, que tem um trabalho consistente, que vai funcionar no time da galeria. Eu tenho que achar que vou saber vender aquilo, não porque a galeria é um negócio, mas porque, mais do que isso, a vida daquele cara vai depender de mim. É uma responsabilidade muito grande.

A Transversal surgiu na Barra Funda. Como avalia esses dois anos de atuação por lá? Acho que o bairro é ótimo, super gostoso, e ainda tem muito potencial para crescer. A minha questão é qual é o prazo para isso. Ele é um pouco afastado do centro econômico da cidade, das pessoas que compram arte. E São Paulo está numa situação muito complicada, chove um pouquinho e a cidade entra em colapso total. Mas o espaço nosso lá é muito bonito, menos cubo branco, menos certinho. Dá pra fazer projetos especiais, inventar histórias legais ali. A princípio, vamos manter as duas unidades, mas a da Barra Funda (R. do Bosque, 206) vai poder ser visitada só com agendamento.

Como será essa primeira mostra da unidade Vila Madalena? É uma coletiva e a gente vai ter um monte de coisa legal de todos os artistas, abrindo o espaço - quase como um agradecimento. A ideia é juntar todo mundo pra fazer uma 'bagunça', mesmo não sendo uma exposição rigorosa do ponto de vista curatorial. Tanto que vai durar duas semanas só.

E as próximas exposições já estão definidas? Em abril, vai ter uma com três gravadores - o Claudio Mubarac, a Elisa Bracher e o Fabrício Lopez -, como parte do circuito da SP Estampa. Em junho, vamos mostrar trabalhos do André Farkas, que assina 'Treco', faz grafite, e tem mais de 300 obras espalhadas por muros da cidade.

ONDE: Transversal. R. Fidalga, 545, V. Madalena, 2337-5804. QUANDO: 11h/19h (sáb., 11h/18h; fecha dom. e 2ª). Inauguração: hoje (15). QUANTO: Grátis.

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