Novos estaleiros devem receber investimentos de US$ 10 bilhões

Projetos de grupos nacionais e estrangeiros preveem construção de oito estaleiros até 2011

Kelly Lima, RIO, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

Pelo menos oito estaleiros de grande porte, no valor estimado de US$ 10 bilhões, estão sendo projetados por grupos nacionais e estrangeiros para operar no Brasil entre 2010 e 2011. O objetivo do reforço é atender às demandas crescentes de construção de sondas de perfuração, plataformas e navios petroleiros, que devem atingir R$ 150 bilhões em cinco anos, segundo o Sindicato Nacional da Indústria Naval (Sinaval).

"Há um aumento do interesse de empresas privadas por investir nessa área no Brasil. A demanda é certa", comentou o ministro dos Portos, Pedro Brito. Ele acredita que o programa de dragagem dos principais portos do País deve acelerar ainda mais esse processo de investimentos nos próximos anos. Somando os estaleiros de pequeno porte, para atender à demanda por embarcações de apoio, o número de novos estaleiros pode chegar a 17 em três anos.

A aposta dos investidores é que o governo brasileiro mantenha a política adotada desde 2003, de exigência de conteúdo nacional, garantindo volume de encomendas nos próximos dez anos, pelo menos. Segundo o Sinaval, essa política elevou o número de empregos da indústria naval de 1,9 mil para 49 mil nos últimos seis anos. De olho nessa alta capacidade de gerar empregos - de 3 mil a 5 mil em cada novo estaleiro -, os governos estaduais têm travado acirrada disputa por investimentos, numa reedição da guerra fiscal para atração da indústria automobilística nos anos 90.

Os Estados mais agressivos são Pernambuco, Bahia e Santa Catarina. Correndo por fora vêm Rio Grande do Sul e Ceará, com um estaleiro cada, e o Maranhão, que oferece como principal vantagem o excelente calado do Porto de Itaqui, um dos maiores do País. Berço da indústria naval e detentor de sete dos dez principais estaleiros, o Rio também tenta novos projetos, mas, segundo o secretário de Desenvolvimento, Julio Bueno, "não vai entrar em disputa". "Acho saudável a desconcentração", disse Bueno. Segundo ele, pelo menos quatro estaleiros podem se instalar no Norte Fluminense e outro projeto vêm sendo avaliado para Itaguaí.

Entre os principais investimentos previstos, estão o do grupo de Eike Batista, o OSX, que vai construir um estaleiro em Santa Catarina; um consórcio formado pelas construtoras OAS, Odebrecht e UTC para construir na Bahia; o grupo Eisa, do empresário German Efromovich, em Alagoas; o Jurong, de Cingapura, no Espírito Santo, e o sul-coreano STX, em local ainda indefinido. A esses investimentos somam-se ainda estaleiros que não foram oficialmente anunciados e devem ser instalados em São Paulo, Ceará e Santa Catarina. Todos com investimentos de US$ 800 milhões a US$ 1,5 bilhão.

Também estudam construir uma segunda unidade o Estaleiro Atlântico Sul (Camargo Correa e Queiroz Galvão), hoje o maior da América Latina, e o estaleiro Mauá, do empresário German Efromovich, que avalia área no Maranhão. Entre os estaleiros de pequeno porte (até US$ 350 milhões), estão o da construtora Mendes Júnior, que avalia área no Rio, e a Alusa, junto com a Queiroz Galvão, em Suape (PE).

Pernambuco ainda deverá ter um terceiro estaleiro, que, segundo o governador Eduardo Campos, deverá ser anunciado na próxima semana. Já em Santa Catarina, segundo o governo local, há um grupo de São Paulo interessado em construir um estaleiro bilionário, que deverá somar-se ao projeto de Eike Batista para o Estado e também ao do grupo Edson Chouest, já instalado com investimentos próprios.

Esses novos estaleiros, incluindo uma área que será arrendada pela Petrobrás para ser ofertada em novas licitações, devem triplicar o atual parque da indústria naval, que ocupa atualmente área de 3,5 milhões de metros quadrados. Parece muito, mas apenas um estaleiro asiático ocupa área superior a esta. O Hyundai tem 6 milhões de metros quadrados e capacidade para cortar 2 milhões de toneladas de aço e construir 70 navios por ano - um a cada quatro dias.

"Comparadas a esse volume, as encomendas brasileiras parecem algo insignificante, mas é um começo sólido", disse o gerente do Departamento de Transportes e Logística do BNDES, Antônio Carlos de Andrade Tovar. Ele estima que pelo menos US$ 70 bilhões em projetos devem passar pelo BNDES em busca de financiamento nos próximos dois anos, dos quais US$ 55 bilhões da Petrobrás e US$ 15 bilhões da OGX, de Eike.

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