Novos fornecedores ganham espaço entre as PMEs

Estreantes aparecem entre os mais bem avaliados no ranking deste ano

Redação, O Estado de São Paulo

30 de agosto de 2019 | 06h00

Donos de pequenos e médios negócios começam a não encontrar produtos e serviços totalmente adequados às suas necessidades. E partem em busca de opções, abrindo espaço para novos fornecedores garantirem posicionamento no mercado. Essa é uma das principais tendências identificadas pela pesquisa Escolha PME 2019, avalia o coordenador do estudo, Paulo Secches, diretor do instituto Officina Sophia.

Novas empresas de máquinas de pagamento com cartão, sites de recrutamento e convênios médicos, por exemplo, apareceram entre os mais bem avaliados no levantamento. Outras categorias devem ser afetadas nos próximos anos. “Tem um conjunto muito grande de novos players e só vejo eles crescendo, apresentando soluções para PMEs muito mais econômicas e flexíveis”, diz.

A pesquisa deste ano revela que as PMEs estão mais exigentes. O que elas querem? 

Os pequenos e médios empresários estão buscando modernização e pressionando vários fornecedores nessa direção. Como um todo, vejo que a sociedade brasileira amadureceu e quer outro patamar (de produtos e serviços). E nós não podemos esquecer que os PMEs são cidadãos vivendo a realidade do Brasil e desejando as mesmas coisas.

É por isso que o índice de satisfação caiu como um todo?

 Sim, o setor está claramente incomodado com a oferta. Quando você olha os critérios de escolha, eles têm como base fundamentalmente qualidade de serviços e produtos, seguidos por atendimento. Entre os melhores fornecedores estão nomes como Dell, Apple, Stone, Epson e Porto Seguro. Não são “empresinhas” vendendo um produto barato. Mas muitos fornecedores ainda pensam apenas na questão do preço.

Qual o reflexo dessa insatisfação entre os PMEs? 

Como os produtos e serviços para esse setor não têm atendido à expectativa dos empresários, eles vão buscar alternativas e a consequência tem sido a entrada de novos fornecedores no jogo. A gente já havia identificado a presença deles nas pesquisas anteriores. Mas chegou numa situação tão limite que a participação de novos fornecedores disparou. E eles estão sendo bem avaliados, chegando até o topo do ranking.

Como você explica esse movimento?

 Esses novos fornecedores vêm crescendo ao longo dos anos nas nossas pesquisas. Não é só por eles serem diferentes. Se eles estão entre os melhores, quer dizer que a oferta deles está mais alinhada às demandas do público, que valoriza produto e atendimento. Tanto que a imagem das empresas é o critério de escolha menos importante para pequenos e médios empresários.

Em quais categorias esses novos fornecedores se destacam? 

Segundo a pesquisa, máquinas para receber pagamentos com cartões, sites para recrutamento, convênio médico e sites de compras. E por que eles estão sendo considerados melhores? Porque eles atendem melhor às expectativas desse segmento.

A participação deles deve crescer nos próximos anos?

Sim, especialmente nas categorias que afetam mais o bolso do empresário. O PME é o que tem mais dificuldade dentro do conjunto de empresários do Brasil. Para captar recursos é muito difícil, os empréstimos sempre têm taxas mais altas. Por isso acho que o setor financeiro é o que mais vai ter de se adaptar. Tem um conjunto muito grande de novos players e só vejo eles crescendo, apresentando soluções para PMEs muito mais econômicas e flexíveis. A flexibilidade também é muito importante nesse segmento.

Por quê?

Um grande banco, por exemplo, acaba sendo mais formal, mais burocrático. E esses competidores que estão chegando conseguem ser mais flexíveis no atendimento. Por exemplo, o número de contas abertas a partir de um aplicativo para smartphone cresce brutalmente. Porque os empresários não querem ficar mais tirando xerox, autenticar documento, levando documento na agência. Se pode fazer pelo celular, ótimo. Essa conveniência é um elemento extremamente valorizado pelas PMEs.

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