Charles C/Divulgação
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Núcleo da Terra tem rotação mais lenta que a imaginada

Geofísicos afirmam que o núcleo, a 5,2 mil metros de profundidade, move-se menos de 1 grau a cada 1 milhão de anos

, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2011 | 00h00

WASHINGTON

Um grupo de geofísicos descobriu que o núcleo da Terra gira mais devagar do que se acreditava anteriormente, afetando o campo magnético, indica um artigo publicado anteontem na revista Nature Geoscience.

O estudo, desenvolvido pelo Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Cambridge, detalha que o núcleo do planeta se move a menos de 1 grau a cada 1 milhão de anos.

O núcleo interno da Terra cresce mais lentamente na medida em que o fluido externo vai se solidificando sobre a superfície do núcleo externo, afirma a geofísica Lauren Waszek, e a diferença na velocidade hemisférica leste-oeste desse processo fica congelada na estrutura do núcleo interno. "Descobrimos que a velocidade de rotação provém da evolução da estrutura hemisférica e assim demonstramos que os hemisférios e a rotação são compatíveis", diz a cientista.

Até agora, lembra Lauren, esse era um importante problema para a geofísica, "porque as rápidas velocidades de rotação eram incompatíveis com os hemisférios observados no núcleo interno, não permitiam tempo suficiente para que as diferenças congelassem a estrutura".

Para obter os resultados, os cientistas usaram ondas sísmicas que cruzaram o núcleo interno, 5,2 mil quilômetros abaixo da superfície da Terra, e as compararam com o tempo de viagem das ondas refletidas na superfície do núcleo.

Posteriormente, os pesquisadores observaram as diferenças na rotação dos hemisférios leste e oeste e comprovaram que giram de modo consistente em direção a leste e para dentro.

A descoberta é importante porque o calor produzido durante a solidificação e o crescimento do núcleo interno dirigem a convecção do fluído nas camadas externas do núcleo. Os fluxos de calor criam os campos magnéticos, que protegem a superfície terrestre da radiação solar - sem eles, não haveria vida na Terra. / EFE

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