Número de médicos em atividade no Brasil cresce 27% em 9 anos

Segundo Conselho Federal de Medicina, não há falta de profissionais; problema é a má distribuição

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2010 | 00h00

/ BRASÍLIA

O número de médicos em atividade no Brasil cresceu 27% entre 2000 e 2009, de acordo com levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O porcentual de aumento foi maior do que o registrado no período entre a população em geral: 12%.

"Os números mostram que não há falta de profissionais no País. O que há é uma desigualdade na distribuição", assegura o médico Desiré Callegari, primeiro secretário da entidade.

Pelos cálculos do CFM, a relação atual é de um médico para cada 578 habitantes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a proporção ideal é de um para cada mil pessoas. No Chile, por exemplo, a relação é um profissional para cada 917.

"Os números gerais são bons, mas a desproporção é muito significativa", diz Callegari. Na cidade de São Paulo, por exemplo, há um profissional para cada 239 habitantes. No interior de Roraima, a situação é oposta: um profissional para cada 10.306.

O trabalho mostra ainda que a Região Sudeste concentra 42% da população do País e 55% dos médicos. A média é de 439 habitantes por profissional. Na Região Norte, por sua vez, a relação de médico por habitante é quase três vezes maior: um profissional para cada 1.130 moradores.

Fixação. Para combater a má distribuição, avalia Callegari, é preciso adotar medidas que garantam a fixação de profissionais em áreas distantes do País. "A criação de uma carreira de Estado, a exemplo do que ocorre com juízes e promotores, seria uma delas", defende o médico.

O primeiro secretário do CFM reconhece que uma mudança dessa amplitude precisaria vir acompanhada de uma extensa reforma e, principalmente, de incremento de recursos. "Não sabemos qual investimento seria necessário. Mas, se nada for feito, dificilmente a desigualdade de acesso à saúde será resolvida no País", afirmou.

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