Número de mortos por terremoto na Nova Zelândia chega a 75

Agentes do resgate trabalhavam na quarta-feira (horário local) em busca de sobreviventes do terremoto que atingiu Christchurch na véspera, guiados por sons de choro e gritos. O número de mortos subiu para 75 e dezenas de pessoas estavam desaparecidas.

ADRIAN BATHGATE, REUTERS

22 de fevereiro de 2011 | 21h55

As equipes tiveram que executar amputações para libertar alguns dos 120 sobreviventes até agora retirados dos destroços após o forte tremor que abalou a segunda maior cidade do país na hora do almoço. O número de mortos deve aumentar ainda mais.

"Estamos recebendo mensagens de texto e rastreando sons dos sobreviventes, e esse é o nosso foco no momento", afirmou o comandante da polícia, Russell Gibson, à rádio New Zealand.

O prefeito, Bob Parker, disse que os agentes encontraram um grupo de 15 sobreviventes presos sob os escombros de um prédio que abrigava a emissora CTV. O edifício também era sede de uma escola de inglês, onde até 12 estudantes japoneses poderiam estar soterrados.

"Inserimos uma câmera no prédio, no local da CTV, e encontramos um local com 15 pessoas vivas, e a equipe está trabalhando para retirá-las de lá", afirmou um agente do resgate.

Cerca de 300 pessoas estão desaparecidas um dia depois do terremoto, acrescentou o prefeito, mas não estava claro se alguns estariam apenas com dificuldades de entrar em contato com amigos, familiares e autoridades devido às falhas na comunicação.

Antes, Parker disse que até 100 poderiam estar sob os escombros.

As autoridades identificaram 55 corpos e ainda há 20 para serem identificados. O número de vítimas fatais certamente aumentará, já que o esforço se concentra na busca frenética de sobreviventes, antes da recuperação e identificação das vítimas fatais.

"Há corpos espalhados nas ruas. Eles estão presos nos carros, esmagados sob os escombros", afirmou o comandante Gibson.

O tremor de magnitude 6,3 --o segundo a atingir a cidade turística em menos de cinco meses-- ocorreu na hora do almoço (fim da noite de segunda-feira no Brasil). Ruas e lojas estavam muito movimentadas, e os escritórios ainda estavam ocupados.

Esse foi também o mais letal desastre natural no país desde 1931, quando um sismo em Napier (norte) matou 256 pessoas.

Ao amanhecer, as equipes de resgate se concentravam em dois edifícios: um de quatro andares, com escritórios financeiros, e outro onde funcionavam a emissora de TV e a escola de inglês.

REFÚGIO

Oito pessoas foram retiradas com vida do edifício, e sabe-se que seis outras estavam refugiadas juntas. No edifício financeiro, havia mais 22 soterrados, dos quais pelo menos três fizeram contato. Alguns dos soterrados estavam sem ferimentos.

O prefeito Parker descreveu a cidade como uma zona de guerra, decretou estado de emergência e ordenou que o centro fosse isolado. Soldados em blindados patrulham as ruas.

A caminho da cidade, um correspondente da Reuters viu estradas e prédios destruídos.

Christchurch é considerada um pedaço da Inglaterra no Hemisfério Sul. Tem uma famosa catedral, agora praticamente destruída, e um rio chamado Avon -- como na Inglaterra.

A cidade tem muitos edifícios históricos, construídos em pedra, e também é frequentada por estrangeiros que desejam aprender inglês e por turistas que a usam como trampolim para excursões pela Ilha Sul da Nova Zelândia.

ALBERGUES

Albergues foram instalados em escolas e numa pista de corridas. Helicópteros foram usados para debelar um incêndio em um prédio de escritórios, e um guindaste serviu para ajudar trabalhadores retidos em outro imóvel.

"Eu estava na praça bem em frente à catedral - toda a fachada caiu, e tinha gente correndo de lá. Havia gente do lado de dentro também", disse John Gurr, técnico de câmera que presenciou o tremor.

A cidade foi abalada por mais de 50 réplicas desde o terremoto inicial de magnitude 6,3, derrubando mais edifícios. Imagens aéreas de TV mostraram casas elegantes em ruínas nos subúrbios, e estradas isoladas por barreiras.

Estados Unidos e Japão ofereceram ajuda, e a Austrália enviou 148 especialistas em resgates, inclusive com cães farejadores. A rainha Elizabeth, da Grã-Bretanha, manifestou solidariedade e disse estar "chocada" com o terremoto.

Christchurch está edificada num terreno de lodo, areia e cascalho, sobre um aquífero. Num terremoto, a água sobe, misturando-se à areia e transformando o solo em um pântano que engole ruas e carros.

Em setembro do ano passado, outro terremoto havia sido mais forte (magnitude 7,1), mas aconteceu num horário de menor movimento e não provocou mortes. O tremor desta vez foi mais raso, o que o tornou mais devastador.

O epicentro foi cerca de 10 quilômetros a sudoeste da cidade. A Nova Zelândia fica entre as placas tectônicas do Pacífico e Indo-Australiana, e tem em média 14 mil terremotos por ano, dos quais cerca de 20 costumam passar da magnitude 5.

(Reportagem adicional de Mantik Kusjanto, em Wellington)

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