Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Números são auditados e não há nenhuma 'mágica', diz Caixa

Vice-presidente de Finanças da instituição, Marcio Percival, rebateu as crescentes críticas do mercado a respeito da qualidade dos ativos do banco

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2016 | 13h09

A realização de uma auditoria nos números dos bancos públicos em um eventual governo de Michel Temer não identificaria nada além dos dados já apresentados pela Caixa Econômica Federal, de acordo com o vice-presidente de Finanças da instituição, Marcio Percival. "Nossos números são auditados e sistematicamente analisados pelo Banco Central. São dados da contabilidade e públicos", disse, em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

O executivo rebateu as crescentes críticas do mercado a respeito da qualidade dos ativos da Caixa. Disse ainda que fica "surpreso" com algumas declarações de que o banco pode apresentar algum problema, mas sem dizer onde o mesmo pode ocorrer. Recomendou ainda que analistas e o mercado em geral "aprofundem mais" a análise dos números da Caixa.

"A inadimplência da Caixa é o que estamos mostrando. É um número auditado. Esses 3,51% ao final de março é a inadimplência do trimestre. Não tem nenhuma mágica", destacou Percival.

O índice de inadimplência da Caixa, considerando atrasos acima de 90 dias, foi 0,04 ponto porcentual menor ao fim de março ante dezembro, quando o indicador ficou em 3,55%. Pesou, principalmente, a venda de carteiras de créditos vencidas no valor de R$ 2,678 bilhões no período. Não fosse isso, os calotes da Caixa teriam ficado em 3,54%.

Percival afirmou ainda que os rumores de que a Caixa pudesse entregar prejuízo ao invés de lucro caso fizesse ajustes em suas provisões "não fazem sentido". "Nenhum número da contabilidade está mascarado ou escondido. Não tem sentido o que está sendo dito a respeito de prejuízo. As pessoas precisam olhar com mais atenção os números da Caixa", ressaltou ele.

A inadimplência do banco, conforme o executivo, está relacionada ao momento da economia atual e não ao passado. Lembrou ainda que o crescimento de crédito mais acelerado, no patamar dos 30%, 40%, que foi bastante criticado pelo mercado, ocorreu até 2012. Depois, segundo ele, a Caixa desacelerou o crescimento dos empréstimos, entretanto, a inadimplência tem um passo natural de maturação.

De acordo com Percival, também não faz sentido constituir provisões supondo que todos os créditos já concedidos pela Caixa pudessem dar prejuízo. "Só se desse tudo errado na economia", exemplificou ele.

A Caixa anunciou lucro líquido de R$ 838 milhões no primeiro trimestre, montante 45,9% menor que o visto em um ano, de R$ 1,548 bilhão. Pesou no resultado, conforme Percival, a constituição de provisão específica de R$ 700 milhões por conta do segmento de óleo e gás e outros que têm empresas com dificuldade de pagamentos por conta da crise atual. Há pouco mais de uma semana, a Sete Brasil, criada em 2010 para gerir a construção e aluguel de sondas de perfuração para aPetrobras, entrou com pedido de recuperação judicial. A Caixa emprestou R$ 1,6 bilhão (US$ 459 milhões) à companhia e teria, conforme fontes, provisionado o restante desse valor que ainda não contava com um colchão no primeiro trimestre. 

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