Nuvem de cinzas se dispersa e Austrália retoma voos

As companhias aéreas australianas enfrentam dificuldades para acomodar dezenas de milhares de passageiros nesta quarta-feira, depois que se dissipou ma nuvem de cinzas procedente de um complexo vulcânico no Chile, que tinha provocado o cancelamento de voos nas regiões leste e sul do país.

REUTERS

22 Junho 2011 | 10h03

A nuvem de cinzas circundou por duas vezes a Terra, prejudicando em duas ocasiões os serviços das empresas australianas. A companhia aérea Qantas teve prejuízos estimados em 20 milhões de dólares australianos na primeira vez e o setor do turismo australiano contabiliza perdas de mais de 15 milhões de dólares.

O órgão da Austrália que monitora as cinzas do vulcão informou que projeções de longo prazo indicam que a nuvem de fumaça não passará uma terceira vez pelo país.

Cinzas vulcânicas podem ser extremamente perigosas para os aviões, causando danos ou falhas nos motores.

A Qantas afirmou ter retomado os voos de Melbourne e Sydney, os dois principais do país, e a Virgin Australia também reiniciou os serviços. A Jetstar, subsidiária da Qantas nos voos de baixo custo, e a Tiger Airlines, do mesmo segmento, estão gradualmente restabelecendo suas operações.

"Há possivelmente alguma esperança de que na quinta-feira comecemos a retornar à normalidade", disse o porta-voz da Autoridade Civil de Segurança na Aviação, Peter Gibson.

A maioria das companhias internacionais manteve os voos na quarta-feira, incluindo a Singapore, Thai, Etihad e a Emirates, cujos aviões aterrissaram em Sydney.

As cinzas lançadas pelo complexo vulcânico de Puyehue-Cordón Caulle, que entrou em erupção no dia 4 de junho, depois de décadas inativo, forçaram o cancelamento esporádico de centenas de voos internacionais.

No mês passado, o mais ativo vulcão da Islândia, o Grimsvotn, lançou uma grossa nuvem de fumaça e cinzas, prejudicando voos no norte da Europa.

A erupção de outro vulcão da Islândia, o Eyjafjallajokull, em abril de 2010, levou ao cancelamento de 100 mil viagens de companhias aéreas, o que afetou cerca de 10 milhões de pessoas, a um custo de 1,7 bilhão de dólares.

O ministro dos Transportes da Austrália, Anthony Albanese, disse que a interrupção dos voos esta semana terá impacto na economia, já abalada por desastres naturais que resultaram no corte de 1,7 ponto porcentual no crescimento do PIB nos três primeiros meses do ano - o maior declínio em 20 anos.

Na Nova Zelândia, os voos domésticos da Air New Zealand operaram normalmente nesta quarta-feira. Já a Jetstar informou na terça-feira que cancelaria todos os voos domésticos na Nova Zelândia até meio-dia desta quarta-feira.

Andrew Tupper, do órgão australiano que monitora as cinzas, disse ser improvável que a nuvem faça um terceiro giro no planeta.

"O vulcão ainda está em erupção, mas não no mesmo nível", disse ele. "E já era algo incomum que nuvens de cinzas fizessem dois giros. A última vez que isso acontecera no hemisfério sul tinha sido em 1991."

(Reportagem de Rob Taylor em Canberra e Michael Perry em Sydney)

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