O antiAndroid

Microsoft aproveita o World Mobile Forum, em Barcelona, para reagir e recuperar mercado

Filipe Serrano, de Barcelona,

21 de fevereiro de 2010 | 11h04

A Microsoft fez de tudo para parecer que não estava seguindo os passos do Google ao lançar em Barcelona, durante a feira Mobile World Congress, sua nova empreitada nos celulares: o Windows Phone 7. Mas a estratégia por trás da nova versão do Windows para telefones de tela de toque tem muito a ver com o que o Google fez com o Android.A princípio, o sistema operacional é 100% Microsoft e converge todos os braços da empresa. Fazer uma busca na internet com o novo Windows Phone significa usar o buscador Bing, da Microsoft. Para procurar endereços e abrir mapas das cidades, o Windows Phone aciona o Bing Maps. O navegador do telefone é o Internet Explorer. O tocador de música leva o nome do Zune, o MP3 player da empresa. E a central de games, o nome do console Xbox, que ainda acessa a rede de jogos do Xbox Live. Os documentos são todos guardados em uma central do Office.De Windows mesmo, quase nada. A única referência é um pequeno botão com o ícone do sistema operacional que serve para acionar a tela inicial do telefone. Mas nada de botão Iniciar, janelas e menus pequenos. Nada que lembre as versões anteriores do antigo Windows Mobile.Por isso que o Windows Phone foi o lançamento que mais chamou a atenção durante o Mobile World Congress na terça-feira passada. A apresentação de Steve Ballmer, CEO da Microsoft, lotou o auditório e os anexos de um hotel próximo ao local da gigantesca feira de telecomunicações. O estande da Microsoft também atraiu visitantes que pararam para acompanhar a transmissão da palestra. Depois do anúncio, o estande abrigou diversas sessões em que funcionários demonstravam o sistema para a plateia, formada na maioria por executivos de empresas de telecomunicações, que ocupava todo o corredor em volta.Ballmer disse que o Windows Phone 7 foi criado a partir do zero, sem incorporar nada das versões anteriores, para que o sistema ficasse o mais evoluído e adequado possível às tecnologias móveis de hoje. De fato o Windows Phone traz uma interface nova, cheia de ícones grandes e efeitos gráficos que o torna tão fácil de usar em telas de toque quanto um iPhone ou um celular com Android, mas há efeitos que lembram bastante o tocador de MP3 da empresa, o Zune HD, o que põe em dúvida o ineditismo do design.De qualquer maneira, a nova cara do Windows Phone é uma evolução grande para a Microsoft, que vinha perdendo o pouco espaço que tinha na área de celulares nos últimos anos.Agora ela se arma pesado para competir principalmente com o Google, cujo Android já está em dezenas de aparelhos, incluindo muitos lançamentos feitos em Barcelona, da HTC, Sony Ericsson e Samsung.Tudo vai depender de os fabricantes adotarem o Windows Phone. E a Microsoft parece já ter convencido alguns deles. Samsung, LG, HTC, Sony Ericsson, Toshiba, Dell, Garmin-Asus e operadoras como Telefónica e Telecom Italia (Tim) estão juntos da Microsoft para colocar modelos com o Windows Phone no mercado até o fim do ano, incluindo o Brasil.Douglas Smith, diretor de negócios em comunicações móveis para as Américas, disse ao Link que se reuniu com operadoras brasileiras em Barcelona. "Quando houve o anúncio global do Windows Mobile 6.5, em outubro, anunciamos o lançamento no Brasil no mesmo dia. Queremos ter uma experiência boa no Brasil. É um país estratégico para a Microsoft. É o país que tem o maior portfólio de telefones com Windows nas Américas", diz. Android vs WindowsAo contrário do Android, o Windows Phone não segue a tendência de código aberto e provavelmente a tela inicial dos celulares com Windows Phone não poderá ser modificada pelos fabricantes, como faz a HTC em seus smartphones com Windows Mobile.Isto pode se tornar um problema para a Microsoft no futuro, já que será difícil diferenciar um telefone com Windows Phone do outro, mesmo que seja fabricado por empresas diferentes.Além disso, não está claro como o Windows Phone vai lidar com os aplicativos. Steve Ballmer disse que os celulares, como iPhone e Android, permitem instalar milhares de programas, mas cada um funciona separado um do outro. No Windows Phone, isso seria diferente e, ao que parece, os aplicativos poderão ser integrados às diversas centrais de games, pessoas, fotos, música, etc. do Windows Phone. Essas dúvidas deverão ser tiradas em um evento da Microsoft em março, o Mix 2010.O Windows Phone está prometendo colocar a Microsoft de volta no centro da concorrência pesada que é o mercado de celulares. Até dezembro, os concorrentes terão bastante tempo para se preparar contra os celulares com Windows Phone 7. Mas, quem sabe até 2011 a pergunta que um vendedor vai nos fazer na hora de ajudar a escolher um celular será: você quer do Google, da Microsoft ou da Apple?   O repórter viajou a convite da Samsung

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.