O arroz ficou vermelho!

O ARROZ DOS VALES - Em Cruzeiro, variedade faz par com suã Não é só no Vale do Piancó, na Paraíba, que se come arroz vermelho. Tem outro vale e outra Paraíba na jogada. Em Cruzeiro, no Vale do Paraíba, o arroz vermelho é apreciado com suã, a vértebra do porco. Veja também: ESPECIAL: É da roça O que é que gosta de voar e é caviar? Amargo de doer, mas tem quem coma cru Em Bananal tem sempre truta As fadas da boca do tacho Caipira da gema Comida mineira é paulista. E também caipira Você não pode perder. Mesmo! A guerra do bolinho O pastel que vira sozinho Tomate até na cocada "A diferença do arroz vermelho em relação ao comum é que ele demora mais para cozinhar. O ponto de cocção é parecido com o do arroz preto. E é perecível, dura cerca de 90 dias", diz a cozinheira Romilda Pereira da Silva, nascida em Cruzeiro. Apesar do nome, o arroz não é vermelho, é amendoado – na cor e no gosto. Por causa da cor, no Maranhão, onde a produção prosperou, ele é chamado de arroz-da-terra. Os grãos são integrais e do tipo cateto, arredondados. Romilda conta que a tradição de prepará-lo em Cruzeiro vem da época do Caminho do Ouro, no século 18. Os tropeiros cruzavam a cidade com destino a Minas Gerais ou a Paraty e, nas paradas para descanso, comiam o arroz vermelho (muito plantado na região) com a carne rejeitada pelos fazendeiros. Mas não se planta mais arroz vermelho em Cruzeiro, porque ele é considerado praga – tem um alto grau de infestação na cultura do arroz branco (eles são plantados juntos). Dos vários biotipos de arroz vermelho no mundo, como o italiano riso rosso, muitos enfrentam o mesmo percalço. A variedade chegou ao Brasil com os portugueses e se espalhou por todo o território, mas era mais abundante no Maranhão. Até que a Coroa precisou de um grande abastecimento de arroz branco e proibiu a produção do vermelho no Brasil. Assim, a produção de arroz vermelho foi mantida só em regiões semiáridas, principalmente no Vale do Piancó, na Paraíba. Hoje pode-se achar arroz vermelho, mas não em abundância. Tanto que ele é um dos produtos protegidos pela Fortaleza do Slow Food, projeto dedicado a preservar produtos e ajudar produtores artesanais. A solução encontrada pela cruzeirense Romilda foi descobrir um produtor no Estado, de quem compra o arroz regularmente. No Revelando São Paulo, no parque da Água Branca, Romilda e a amiga Lúcia Maria Pinto cozinharam o arroz para uma multidão. Fizeram um PF com arroz vermelho, suã, mandioca e torresmo.

Giovanna Tucci,

29 Outubro 2009 | 10h04

Mais conteúdo sobre:
Paladar Vale do Para&iacute ba

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.