O avanço da uva secreta

No Chile, os varietais da Carmanère vêm sendo aprimorados dia a dia, à medida que enólogos e agricultores passaram a compreender e trabalhar melhor a cepa. Antes da praga, a uva era bastante difundida em Bordeaux, de onde praticamente desapareceu

Saul Galvão,

30 Abril 2009 | 09h10

É mais que sensível o progresso da Carmenère, que já foi chamada de "uva secreta" do Chile, cujos varietais são aprimorados a cada dia, à medida que agricultores e enólogos passaram a compreender e trabalhar melhor a cepa. Ela já entrava nos cortes de vinhos caros e famosos ao lado da Cabernet Sauvignon (Clos Apalta, Don Melchor). Essa uva, embora tenha sido importante onde nasceu, hoje é quase exclusividade do Chile. Veja também: Cono Sur Bicicleta Carmenère 2007 Terra Andina Reserva Carmenère 2007 Santa Helena Sellección del Directorio 2007 Anakena Single Vineyards 2007 Os pioneiros do vinho chileno importaram as uvas, principalmente de Bordeaux, no século 19, antes que uma praga terrível arrasasse os vinhedos da Europa. Para salvar as vinhas europeias, os vinhateiros foram obrigados a enxertá-las em raízes de uvas americanas, não viníferas, que eram resistentes à praga. Só no Chile as raízes são originais. Antes da praga, a Carmenère era bastante difundida em Bordeaux, de onde praticamente desapareceu quando as uvas foram replantadas, pois não se deu bem com o sistema de enxerto. As uvas europeias foram para o Chile por volta de 1851. Carmenère e Merlot foram misturadas e acabaram plantadas juntas, o que não é bom, pois amadurecem em tempos diferentes. Em 1994, cientistas desvendaram a identidade da cepa e em 1996 apareceu seu primeiro varietal, o Gran Vidure, outro nome da uva. O curioso é que, mesmo desconhecendo as identidades (ou fingindo que não sabiam), os chilenos usavam a Carmenère em cortes com a Cabernet Sauvignon, a uva rainha do Chile, dando origem a excelentes vinhos. É surpreendente o fato de a Carmenère não ter sido identificada antes. Ela é parecida com a Merlot, mas amadurece mais tarde. Olhando de cima um vinhedo com as duas uvas, elas se distinguem pela cor. A Merlot já está madura, enquanto a Carmenère ainda está longe do ponto. Colher e vinificar uvas maduras e verdes ao mesmo tempo não era nada bom. A partir daí elas foram se distanciando. A área plantada com a Carmenère subiu de 95 hectares para 6.045 hecares atualmente, uma boa parte concentrada no Valle de Rapel. No começo, os vinhos Carmenère não eram essas coisas. Era comum encontrarmos tintos agressivos com sabor vegetal exagerado. Mas as coisas estão melhorando e hoje já encontramos bons exemplares, nada rústicos. como demonstraram estes vinhos básicos, feitos em grandes quantidades e com preços relativamente baixos, menos de R$ 50.

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