O Brasil e os Jogos de 2016

O Rio e o Brasil conquistaram a maior glória da nossa história no último dia 2 de outubro. Sob a liderança do Comitê Olímpico Brasileiro e com a união dos três níveis de governo, vencemos uma disputa global, considerada a maior concorrência do mundo. Durante dez anos de estratégia e trabalho, e dois anos de campanha envolvendo nações que já foram sede dos Jogos Olímpicos, mostramos ao mundo a excelência técnica e o poder transformador do projeto brasileiro para 2016. E o Comitê Olímpico Internacional reconheceu a nossa qualidade ao nos dar a vitória mais emblemática de todas as eleições para cidade sede dos Jogos.

Carlos Arthur Nuzman, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2009 | 00h00

Para o movimento olímpico, essa decisão histórica abre uma nova e promissora fronteira na América do Sul. Para nós, brasileiros, significa uma oportunidade única de estender a todo o País os avanços na área esportiva, como a criação do primeiro Centro Olímpico de Treinamento, e de infraestrutura, aproveitando o maior evento esportivo do mundo para transformar a cidade e o país, como aconteceu em Barcelona, Sydney e Seul.

Mas o caminho para essa vitória não se resume aos últimos dois anos de campanha. O ano de 1999 foi o marco inicial dessa caminhada, quando o Comitê Olímpico Brasileiro decidiu não disputar a sede dos Jogos de 2008 e dedicar-se a conquistar o direito de organizar o Pan de 2007. Três anos depois, o Rio organizou com sucesso os Jogos Sul-Americanos de 2002. No mesmo ano, derrotamos San Antonio para organizar o Pan.

Aprendemos e evoluímos muito desde 1999, trabalhando junto aos governos, patrocinadores e vários setores da sociedade até conquistar essa oportunidade para a cidade, o estado e o País.

Muitos me perguntam qual foi o fator decisivo na vitória. Aponto alguns, como a dedicação e união dos três níveis de governo em prol da candidatura. O sucesso na realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007 e o legado esportivo da organização do melhor Pan já realizado também nos credenciaram para vencer a disputa. Por último, ressalto que a nossa candidatura era a única conduzida pelo esporte, com o total apoio do Comitê Olímpico Brasileiro.

Passada a euforia da vitória, devemos agora encarar um novo caminho de muito trabalho, porque organizar o maior evento esportivo do planeta exigirá união do Comitê Organizador, dos governos e da iniciativa privada para enfrentar novos e grandes desafios.

O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016 começou a trabalhar menos de 24 horas após a vitória. Além disto, no fim de outubro, recebemos o COI para um seminário de orientação e, em fevereiro, participaremos do Programa de Observadores nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Vancouver. Em 2010, nos concentraremos nos manuais técnicos do COI para detalhar o planejamento do caminho até 2016.

O modelo de organização dos Jogos Olímpicos Rio 2016 foi baseado na experiência de Londres e Sydney. O Comitê Organizador cuidará de um orçamento de US$ 2,8 bilhões para a operação dos Jogos, enquanto a Autoridade Pública Olímpica - composta pelos três níveis de governo, que indicarão um diretor geral - será responsável pelo orçamento de US$ 11,6 bilhões para as obras de infraestrutura, como a modernização do sistema de transporte do Rio, melhorias nos aeroportos e construção de instalações esportivas.

Em parceria, mas dentro das atribuições definidas pelo projeto executivo, o Comitê Organizador Rio 2016 e os três níveis de governo estão prontos para encarar esses desafios e realizar Jogos inesquecíveis, que transformarão a cidade, deixando um legado duradouro para a população.

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