'O Brasil não está mostrando a liderança que precisaríamos'

O eurodeputado holandês Gerben-Jan Gerbrandy explica ao Estado as razões que levaram o Parlamento Europeu a cancelar sua participação na conferência do Rio: logística cara e negociações estagnadas,

Entrevista com

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2012 | 03h02

O senhor vê o problema com os hotéis como um mau sinal?

É um mau sinal para a Rio+20, sem dúvida. Mas há notícias bem piores. O foco mudou. Temos de procurar novas formas de desenvolvimento sustentável, de uma economia mais responsável. Mas o que vemos é uma discussão sobre questões sociais, importantes, é claro, mas não centrais para uma conferência desse tipo.

A mudança de foco influenciou a decisão de não enviar representantes?

Não é decisivo. Foi antes de mais nada por causa dos custos. Mas sabemos que os rumos das negociações são uma questão decisiva para que gente como a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, decida não ir. Ninguém mais está esperando pela tomada de decisões na Rio+20. É um péssimo sinal, porque precisamos do comprometimento de nossos líderes.

Qual é o papel do governo do Brasil nos rumos das negociações da Rio+20?

O governo brasileiro desempenha um papel central nessas negociações. No início, o País não desempenhou uma função muito construtiva.

Creio que Brasília tenha um cenário de urgência para reverter o impasse e aparecer como o salvador da conferência no final. Mas não creio que isso acontecerá. O Brasil não está mostrando a liderança que precisaríamos para chegar a uma conclusão construtiva.

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