O cavalheiro Chevallier

Quando cheguei ao Lafite, bem cedo e com um frio brutal, minha má vontade era imensa. Mudei imediatamente quando me dei conta que meu guia seria Charles Chevallier. Não um simples assessor de imprensa ou um diretor comercial, mas o diretor-geral de todos os Domaines Barons de Rothschild. Uma oportunidade enorme para conversar. Com o dado adicional que monsieur faz jus ao sobrenome: é um cavalheiro divertido, brincalhão e nada pomposo. Explicou de modo tão didático os solos de Pauillac que valeu por uma pós-graduação. Depois serviu o Lafite, o Carruades de Lafite, o L'Evangile, o Duahart-Milon e o sauternes Rieussec. Discutiu em detalhes cada amostra e cada safra. Perguntei sobre a saída de Latour do sistema de en primeur. Foi a única vez em que mudou de tom. Disse irritado que Lafite acredita e continuará participando do "importante sistema de venda, que é histórico e funciona bem". Falou que já plantam no terroir que escolheram na China, na região de Pequim. "Temos propriedades na Argentina, com Catena, onde produzimos juntos o Caro; no Languedoc, o d'Aussières; Los Vascos no Chile... por que não na China? O país é grande, pesquisamos os solos e climas e escolhemos o local." São 20 hectares ao sul da capital, onde testam Cabernet Sauvignon e Syrah, "uma aventura", segundo disse. O solo, bem pobre, foi decisivo para a escolha. Pela tranquilidade com que ele falou da tal aventura, há mais certeza que aposta temerária num futuro Lafite chinês.

O Estado de S.Paulo

14 Junho 2012 | 03h10

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