O chef mais estrelado da noite? Não está na cozinha

Jantar promovido pela revista Prazeres da Mesa em parceria com o Senac reúne grandes chefs franceses e Alain Ducasse

Cíntia Bertolino,

29 Outubro 2009 | 14h20

Um dos maiores cozinheiros do mundo esteve em São Paulo na noite de segunda-feira. Mas ele não estava aqui para cozinhar. Alain Ducasse veio para jantar.Era convidado, mas agia com o charme de um anfitrião. VISITE NOSSA COZINHA - O chef Alain Ducasse acata a sugestão Quando todas as pessoas já estavam acomodadas na sala de jantar do hotel Grand Hyatt, Ducasse surgiu sorridente. Feliz em encontrar Jeffrey Steingarten, cumprimentou o crítico gastronômico da revista Vogue com um entusiasmado "allez, allez, Jeffrey, à table". Pouco depois das 9 da noite se sentou para o início do serviço de 13 pratos do Jantar das Gerações – evento organizado pela revista Prazeres da Mesa em parceria com o Senac São Paulo que reuniu mais de uma dezena de chefs franceses. PROFITEROLE - Recheado com sorvete de baunilha e banhado de chocolate Na cozinha, o serviço fluía, sem gritaria ou atropelo, como numa linha de produção rápida, mas concentrada. Compenetrados, os cozinheiros não estavam nem um pouco alheios ao fato de que preparavam a refeição para um dos expoentes da gastronomia francesa. Os chefs – muitos estão à frente de restaurantes com duas ou três estrelas Michelin – estavam lá para cozinhar para banqueiros, empresários, convidados e pessoas que desembolsaram R$ 5 mil pelo jantar. Mas, sobretudo, estavam lá para cozinhar para uma pessoa: Alain Ducasse. A influência de monsieur Ducasse é forte. Sua figura, assim como sua cozinha, é reverenciada pelos colegas cozinheiros que trabalharam com ele. "Foi a pessoa que mais me influenciou", disse o chef Pascal Valero, que, ao lado de Laurent Suaudeau, Claude Troisgros, Emmanuel Bassoleil e outros chefs "franco-brasileiros" eram os padrinhos dos chefs convidados. Para a decepção, ou o alívio de muitos, o chef não chegou ao fim do banquete. Resistiu até o sexto prato, a lula recheada sétoise de seu protégé Christophe Larrat, chef executivo da Alain Ducasse Formation. Muito afável, disse o que estava achando do jantar: "Está tudo muito bem. Os sabores expressam a diversidade que há na cozinha. Posso até sentir uma certa mistura franco-brasileira", disse. Grande empreendedor, Ducasse comanda dezenas de restaurantes pelo mundo, escreve livros, dirige uma escola de gastronomia, mas rejeita o rótulo de homem de negócios: "Sou um cozinheiro. Tenho sócios que cuidam de contratos. Agora, se você quiser saber o que comer nos meus restaurantes, é a mim que deve perguntar." O jantar só estava começando quando Ducasse fez uma delicada visita à cozinha. Discreto, cumprimentou os cozinheiros, como se fosse só mais um cliente. No meio do burburinho conseguiu sair, naturalmente à francesa, sozinho, pela porta oposta. Não voltou à sala de jantar. Nem sequer esperou o monumental profiterole versão 2009 do pâtissier Christophe Michalak, do Plaza Athénée. Mas deu um conselho antes de partir: "Não deixe de provar o chocolate com framboesa de Philippe Gobet, da École Lenôtre. É o meu preferido." Não deixamos.

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