O efeito 'uau!' do Syrah chileno

Chile faz pensar em Carménère e Cabernet. Na longa viagem que fiz, provei, é verdade, muitos vinhos com tais uvas, tema de colunas anteriores. Mas, vira e mexe, um produtor dizia, casualmente: "Também fiz umas poucas garrafas de Syrah..."

Luiz Horta, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2011 | 01h48

Eu pedia para provar. Quase sempre era ainda algo rudimentar, fruta e madeira, sem a expressão típica da uva. Mas houve alguns casos notáveis, com o chamado efeito "uau!" aparecendo.

Cheirava e pensava: "Tem coisa aqui, isto não é o monovarietal aborrecido e sem personalidade". Prova da incrível coleção de climas que tem o Chile, explorados ou por explorar, é a diversidade de estilos das uvas espalhadas por suas regiões.

Um escritor do século passado, chileno, tinha um título para um de seus livros: Chile ou uma Louca Geografia. O país longuíssimo e estreito consegue ir das geleiras do sul ao deserto mais seco que há no norte, Atacama.

Como Mendoza, que só agora descobre as centenas de facetas da Malbec, o Chile, que parecia tão sólido e consolidado em um estilo, explode em experimentações, novas castas, novas técnicas e novos terroirs.

Provei cerca de 12 Syrahs. Dei destaque a três deles. A elegante e contida senhora Marin até se assustou com meu pulo na cadeira. Nunca tinha provado um Syrah de clima frio tão notável aqui pelo Novo Mundo.

Pena que sejam tão poucas garrafas. Mas há gente lidando com a Syrah em Maule, em Elqui, no Aconcágua e em Casablanca. Vem mais Syrah por aí, uva que ainda pode ser o emblema do novo Chile.

Os notáveis Syrahs

O Maycas de Limari é correto, sem entusiasmar.

O famoso Montes Folly, atrevimento de Aurelio Montes e Douglas Murray no Colchagua, subindo a pré-cordilheira, tem um estilo quente, do Rhone sul, intenso, saboroso, expansivo e generoso. O rótulo de Ralph Steadman, grande ilustrador britânico mais conhecido por suas viagens lisérgico-alopradas com Hunter Thompson (e muitas das ilustrações do jornalismo gonzo são dele), é um atrativo adicional. E o estupendo

Casa Marin, Miramar Vineyard, provado numa manhã gelada e enevoada, com os quatro quilômeatros que separam o vinhedo do Pacífico e sua influência evidente, foi um vinho que me tirou do sério. Delicioso, um acontecimento engarrafado.

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