O encontro de Lafite com Catena

Luiz Horta,

21 Outubro 2010 | 08h58

(1) O 2000 está em evolução. É um vinho sublime, taninos firmes e finos, ótimo corpo. Delicioso. (2) O 02 precisa de tempo, taninos ainda um pouco secantes. (3) O 05 é saboroso e carnudo, com um nariz bem expressivo de fruta madura. (4) O 06 é um vinho ainda com taninos por amaciar, mas de grande elegância e equilíbrio. Muito bom. (5) O 07 é uma criança, precisa de tempo para ganhar a notável presença do 2000. Em todos surpreende a capacidade de serem bebidos agora, embora compense esperar. Ainda é cedo para tachá-los de os melhores argentinos, mas são grandes vinhos.

 

 

 

 

 

 

Não dá para fugir da piada. O Caro, vinho que reúne o talento e as iniciais de Catena Zapata e Rothschild (Lafite), é tão bom que não é caro. A joint venture franco-argentina fez dez anos e possibilitou uma vertical fenomenal. Num encontro recente com Estela Perinetti, a enóloga, ela explicou a grande liberdade que as duas importantes empresas permitem, o que é curioso dentro de estruturas tão gigantescas. O porcentual básico do vinho, conceitualmente, pelo menos, é 50-50, um peso idêntico para o que seria o lado francês (a Cabernet) e o platino (a Malbec), mas varia sutilmente conforme as safras de cada ano.

Fiquei encantado pela evolução do Caro 2000. Provado na época do lançamento, lembro de ter achado o vinho pesado e apenas um corte banal a mais, que não acrescentaria nada ao universo dos vinhos. Como estava enganado! Tinha raciocinado em termos sul-americanos, de vinhos para consumo imediato.

Para "ler" esse vinho, precisava pensar com uma cabeça mais próxima de Bordeaux. O Caro necessitava de tempo na garrafa e hoje, dez anos depois, está com fineza e elegância bordelesas e o raçudo espírito argentino. Além de ser um raro exemplo de vinho argentino que ganha complexidade com a passagem do tempo.

Lembrando dos excelentes Chardonnays que levam o nome Catena Zapata, perguntei se não haverá um Caro branco. Estela riu, disse que nem pensaram nisso. Uma pena.

 

 

 

 

 

Combina com o quê?

Nesta edição, o Glupt! estreia seção de harmonizações partindo da comida para chegar ao vinho ideal. Aproveitei o "caso mochi verde" para iniciar: comentei que gostava do bolinho, e Marisa Ono, produtora de alho negro, me deu uma aula. Pediu a sua mãe, d. Margareth, para produzir o verdadeiro yomogi mochi, feito com losna, e não com corante. É uma delícia, pintadinho e com forte gosto vegetal. Ficou muito bem com o Riesling Dr. "L" Loosen (R$ 48, Expand, tel. 3847-4700), que tem boa acidez e açúcar residual em equilíbrio.

 

 

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