O estalo de Gonzalo

A família vendia suas uvas e delas saíam bons vinhos. Um dia o patriarca decidiu fazer ele mesmo. Sucesso!

Luiz Horta, blog.estadao.com.br/blog/luiz-horta,

06 de maio de 2010 | 11h15

Ele tem nome de ministro: Gonzalo Sáenz de Samaniego Berganzo. Na realidade, foi ministro - de Pesca e Agricultura do governo autônomo do País Basco. Mas a origem familiar ligada ao vinho falou mais alto e Gonzalo hoje é vinicultor, com os dois irmãos, na região da Rioja Alavesa. Seu vinho top, Gloria de Ostatu, deu início à série de verticais (mesmo vinho em safras diferentes) da coluna. Provamos os anos de 2002, 2004 e 2005 e uma amostra de barrica de 2006, pois este vinho ainda não foi engarrafado. Gonzalo recusa a denominação top. "São todos top, fazemos com o mesmo cuidado o mais barato e o mais caro."

 

Situada numa das regiões mais tradicionais da Espanha, a Rioja, a Ostatu é bem nova. Até os anos 70, o pai vendia as uvas que produzia e vinificava uma pequena quantidade para a família. Um dia veio o estalo: se vendo minhas uvas e extraem delas bons vinhos, por que não fazê-los eu mesmo? "Comprou um Renault 6 muito feio, azul, para vender as garrafas aos amigos. Em 1986 produzimos nosso primeiro Crianza e daí em diante não paramos mais", diz Gonzalo. O Gloria nasceu da amizade com Hubert de Boüard, dono do Château Angelus. "Hubert passa as férias conosco e sempre dizia: ‘Vamos fazer um Tempranillo no estilo de St Emillion?’ Um dia cedemos e surgiu o vinho".

 

O château entrou com a compra das barricas de carvalho francês, selecionadas de seus melhores toneleiros, e com algum know-how, mas o vinho é essencialmente um excelente Rioja moderno com a elegância dos clássicos e toques de Bordeaux.

 

 

2002 - Nariz intenso de fruta concentrada, profundo e muito atraente. Bem riojano.

 

2004 - Delicioso aroma de terra e couro, na boca bem mineral. Precisa mais tempo de garrafa.

 

2005 - Nariz de café, tostados, tabaco, muito típico da Tempranillo. Na boca, é potente e tem taninos por polir. Vinho para guarda de uma década. É o único à venda no Brasil (CultVinho, tel. 2613-7183, R$ 395).

 

2006 - Muita madeira por integrar, taninos bem duros ainda. Para longa guarda.

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