O guru da nova 'comida autêntica'

Ex-ativista, Eliot Coleman desistiu dos orgânicos e radicalizou

Cíntia Bertolino, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2009 | 02h11

Desde 1965, tudo que é cultivado pelo fazendeiro americano Eliot Coleman é orgânico. Quando muita gente ainda achava que pesticida era uma coisa boa, o autor de The New Organic Grower (Chelsea Green, 1989) já defendia a volta às técnicas simples de plantio. Guru do chef Dan Barber (leia entrevista ao lado), e autoridade no tema, Coleman foi diretor da Federação Internacional de Agricultura Orgânica, mas agora segue nova direção: a da authentic food (comida autêntica). Para ele, os orgânicos já não representam ingredientes saborosos e puros. Ele conversou com o Paladar de sua fazenda, Four Seasons Farm, no Maine.

A produção em larga escala significa o fim do orgânico verdadeiro?

Diminuir o uso de defensivos é uma boa coisa, mas suspeito que a qualidade desses ingredientes, vendidos como se fossem um relógio suíço caro, se assemelhe mais a uma cópia desse mesmo relógio.

Porque o senhor adotou o conceito e o termo ?comida autêntica??

Estava procurando uma palavra para substituir orgânico. Queria indicar o que nós, fazendeiros sérios, conhecemos como comida de verdade, cultivada por quem se importa e adota padrões que vão além do orgânico.

E o que vai além?

Quando o Departamento de Agricultura americano decidiu controlar o cultivo orgânico, criou-se uma lista de requisitos para a certificação. Pessoas que, como eu, já vinham fazendo isso havia anos - usando compostos vegetais e esterco como adubo, fazendo a rotação das culturas -, notaram que as exigências estavam muito aquém do ideal.

Esse conceito não é radical?

Novas ideias costumam parecer radicais. Hoje as pessoas são mais esclarecidas, mas quando ficou provado que pesticidas, antes considerados aliados milagrosos da agricultura, eram prejudiciais à saúde, foi algo chocante.

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