O hackatão continua

Foi a primeira do País já realizada por um veículo de comunicação e certamente não será a última. A maratona hacker do Estado, o Hackatão, terminou há uma semana, mas as ideias e projetos nascidos ali continuam.

O Estado de S.Paulo

02 Julho 2012 | 03h09

Durante quase 24 horas, programadores, jornalistas, designers e pessoas das mais diversas formações se reuniram para quebrar a cabeça e elaborar ferramentas digitais que pudessem ser úteis para o País.

"Essa união é uma tendência inevitável", diz José Roberto de Toledo, do núcleo Estadão Dados. "A plataforma digital ganhou importância e agora é preciso criar narrativas diferentes. Para isso, você precisa de profissionais complementares."

A ideia de trazer hackers - profissionais capazes de transformar uma grande quantidade de dados incompreensíveis em informações palpáveis - pode ainda soar estranha para as redações, pois é nova no Brasil. No entanto, em outros cantos do mundo, essa é uma prática que já se encaminha para uma segunda etapa. Exemplos são o jornal americano The New York Times e o inglês The Guardian.

"Eles já estão avançados nesse modelo, têm uma posição consolidada no jornalismo de dados; tanto que já realizaram maratonas deste tipo", afirmou a editora-chefe de Conteúdos Digitais do Grupo Estado, Cláudia Belfort.

Para ela, prova de que o Brasil ainda engatinha nessa área é o fato de o Estado ter sido o primeiro jornal a formar um grupo para trabalhar especificamente com essa nova linguagem, o Estadão Dados, e a realizar um evento baseado na cultura hacker. "Há um longo caminho a percorrer, mas torço para que cheguemos lá porque, afinal, esse é o jornalismo do futuro", diz.

Segundo Toledo, o que divide esses grupos de dados das demais áreas dos jornais é que, em vez de palavras, usam-se códigos. "A nossa narrativa é a ferramenta que criamos para visualizar esses dados. É ela que mostra a história que queremos contar", explica.

No entanto, como em toda maratona hacker, houve dificuldades. Trabalhar com bases de dados é sempre desafiador, uma vez que há uma série de empecilhos para obter as informações desejadas: podem estar indisponíveis, incompletas ou com problemas de padronização, travando o trabalho.

Para Daniel Bramatti, repórter da editoria Nacional do Estado que participou do evento, alguns projetos só não avançaram porque as bases de dados escolhidas tinham diversas inconsistências. "Isso evidencia a importância da transparência ativa, quando parte dos próprios órgãos públicos a iniciativa de colocar seus dados à disposição do público em formatos amigáveis", diz. "A transparência, se devidamente valorizada pelo público e pelas instituições, pode ser a arma mais eficaz contra a corrupção e a ineficiência."

O Hackatão foi uma boa oportunidade para desbravar esse território, pensando em como explorar as possibilidades que os dados públicos oferecem.

A pretensão, no entanto, não foi pequena: passar 24 horas acordado e produtivo não é para qualquer um. O ímpeto é maior no começo, quando há mais pessoas, mais empolgação e tudo parece andar mais rápido. "Justamente quando os problemas começam a surgir, a energia já está menor", diz Toledo.

Contudo, apesar de poucos projetos terem sido finalizados por completo, muitos ainda estão em andamento: os grupos formados no evento se mantêm em contato e mais gente interessada começou a participar: e vem coisa boa por aí. A ideia é justamente ser uma iniciativa multiplicadora, que não acabe quando der meia-noite. O trabalho está só no começo.

Segundo Cláudia Belfort, o próximo Hackatão já está sendo idealizado e deve acontecer em breve. Já que a maioria dos projetos desta primeira maratona teve um teor político, a próxima pode ter um tema mais específico, como as eleições. Quem vai?

Anna Carolina Papp

carol.papp@grupoestado.com.br

Murilo Roncolato

murilo.roncolato@grupoestado.com.br

Projetos criados

no evento de programação do Estado continuam em desenvolvimento

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