O lema é vinho e Progreso

Ainda jpvem, Gabriel pediu 'uma barrica e uvas'. Nasceu o Etxe Oneko, vinho de grande sucesso

Luiz Horta,

20 Janeiro 2011 | 11h38

 

Gabriel está se tornando mais conhecido por suas invenções que pelo sobrenome. Ele é um Pisano, família quase sinônimo de vinho uruguaio, e isso poderia ser um peso, obrigando-o a seguir tradições. Mas os Pisanos são os mais vanguardistas dos tradicionalistas, ou talvez a tradição seja mesmo uma invenção constante.

Anos atrás, mal entrado na idade legal para beber, Gabriel pediu ao tio, o exuberante Daniel Pisano, aquele dos bigodes mais conhecidos no mundo dos vinhos, uma barrica e umas uvas. "Barrica nova custa quase 1 mil", conta Daniel. "O que o garoto ia fazer com aquilo?" Deixou. O resultado da aventura foi o Etxe Oneko, vinho fortificado de Tannat que hoje é um dos mais vendidos pela vinícola familiar de Canelones.

Foi a prova de que os Pisanos tinham nova geração de enólogos surgida naturalmente. Daquela criação para cá, o irrequieto Gabriel rodou o mundo, estagiou na Califórnia, na Catalunha, na Austrália. Foi mochileiro e seguiu sua vida "like a rolling stone". Voltou ao Uruguai cheio de ideias. O trio Pisano – os tios Daniel e Gustavo e o pai, Eduardo – coçam a cabeça eventualmente, mas deixam que experimente.

O grande estalo para a família foi a recuperação de vinhedos esquecidos em uma joint venture com franceses que não decolou. A Viña Progreso nasceu para ser uma produtora de vins de garage no estilo bordalês. Virou o laboratório para os atrevimentos bem-sucedidos de Gabriel. Numa visita, ano passado provei todos os vinhos. Dois me encantaram especialmente e vieram pesando na mala, pois ainda não tinham importador: o especialíssimo Sueños de Elisa Tannat 09 de barrica aberta e o Viognier 10.

Sueños de Elisa é uma revolução. Gabriel inventou o Tannat macio, já pronto para beber, usando técnica de fermentação com o barril destampado e muita bâtonnage (veja o box). O vinho tem o toque Pisano, sinceridade, clareza, boa fruta madura, com o acréscimo de uma maciez inédita no Uruguai. O rótulo é um dos sonhos de Elisa Pisano, que desenha seus passeios oníricos. Tudo a ver, pois a Viña Progreso é um delírio que funcionou.

Vinci

A importadora Vinci (tel. 2797-0000) está trazendo, por enquanto, só dois dos vinhos da Viña Progreso

Reserva Tannat 2008 e o saboroso e estiloso Reserva Viognier 2010 (ambos a R$ 49)

Barrica aberta amansa taninos

A feitura dos vinhos é totalmente artesanal, pela personalidade do jovem enólogo e pelo tamanho do empreendimento. A técnica de fermentar com barrica aberta ele trouxe do Priorato. O mosto é mantido longamente com as borras, que são empurradas para baixo seis vezes por dia. O resultado são vinhos mais macios. Pena que a importadora ainda não tenha o Sueños de Elisa, corte de Tannat, Petit Verdot e Cabernet Sauvignon, vinho sui generis, concentrado e delicado ao mesmo tempo. Pena também que a garrafa que eu trouxe sofreu um acidente e não pude voltar a provar o vinho.

O Viognier também é ótimo, com tipicidade da casta, sem os riscos de quando ela aparece no Novo Mundo: não é pesado nem alcoólico nem enjoativo. Confirma a vocação do Uruguai para brancos. É fresco, saboroso e intenso, sem peso.

 

 

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