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O máximo e o mínimo

O Estadão revela os registros de fragmentos do mundo do japonês Masao Yamamoto, emoldurados por frágeis bordas milimetricamente rasgadas

Juliana Sayuri, O Estado de S. Paulo

05 de abril de 2014 | 15h48

Japonês de olhos bem abertos, Masao Yamamoto gosta de coisas belas. Simples assim. Nascido na cidade de Gamagori, em 1957, Yamamoto cresceu rodeado pela natureza, colecionando insetos e brincando nos campos cobertos de lama na Província de Aichi. "Talvez tenha sido atacado por uma espécie de doença de ‘busca pela beleza’", diz.

Aos 14, Yamamoto adquiriu o primeiro telescópio, fascinado pelos pequenos brilhantes que contemplava no céu. Aos 17, a primeira câmera. Depois, os primeiros pincéis. Nessa busca inquietante por coisas belas, tornou-se fotógrafo, famoso por sua obra minimalista. Para registrar esses fragmentos do mundo, emoldurados por frágeis bordas milimetricamente rasgadas, encontrou inspiração em versos do monge budista Ryokan (1758-1831): "Uma folha de bordo japonesa / Ela se vira para mostrar suas costas / Ela se vira para mostrar sua frente / Antes que seja a hora de cair". "É um haicai tão pequeno, mas uma filosofia magnífica do universo está presente nessas palavras."

Yamamoto-san, por que o minimalismo?

Masao Yamamoto - Goethe dizia algo como ‘mínimo e máximo têm os mesmos valores’. É o que sinto. Ao olhar perto e mais perto e aguçar meus sentimentos, sinto-me conectado com um universo maior. Um dos ensinamentos zen que adapto a minha arte é a ‘passividade agressiva’. Tento ver onde estou nesta vasta natureza, como parte de um fluxo magnífico. Assimilo informação ‘agressivamente’ da natureza, sublimo e dou vazão como arte. Assimilo tudo que está a meu redor, inclusive os problemas da sociedade moderna. Penso o mundo através da fotografia. Penso que só poderemos encontrar a paz quando aprendermos a respeitar mesmo as menores coisas do mundo. Antropocentrismo é uma visão muito perigosa.

O sr. também privilegia a fotografia em preto e branco. Por quê?

Masao Yamamoto - O mundo está saturado de informações - e, na realidade, muita informação provoca indigestão. Uma fotografia de uma maçã em preto e branco permite aos espectadores imaginar as cores que preferirem. Uns pensam em maçãs vermelhas, outros em azuis, amarelas, assim por diante. Além disso, há uma infinidade de tons de vermelho. O ser humano tem um maravilhoso senso de imaginação. Uma foto em preto e branco contém mais possibilidades.

O olhar japonês propicia visões mais sensíveis do mundo?

Masao Yamamoto - Tive a sorte de viajar para muitos lugares para exibir meu trabalho. Isso me permitiu olhar objetivamente para meu país. O Japão tem uma história sombria por ter provocado guerras terríveis no passado, mas acredito que os japoneses sejam um povo essencialmente pacífico. Os japoneses preferem e valorizam a harmonia. Nestes tempos marcados por conflitos, acredito que os japoneses possam ajudar a trazer paz para o mundo. Entretanto, nossos políticos, como não são muito assertivos, não estão conseguindo transmitir isso. Como artista, tento mandar essa mensagem de paz na minha arte.

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