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O mesmo banco

Se fizer o humor que meu pai fazia, não fico dois meses no ar, diz Carlos Alberto de Nóbrega

Murilo Bomfim , O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2013 | 02h12

Não teve jeito. Quando se viu no sofá da casa de Carlos Alberto de Nóbrega o Divirta-se se sentiu o novo personagem da 'Praça'. É, você sabe que a gente adora fazer gracinha. Ele é filho de Manuel de Nóbrega, de quem herdou o programa semanal que é um dos campeões de audiência do SBT, e também a destreza para fazer o humor de 'escada' (em que o anfitrião impulsiona as piadas dos convidados).

A esta altura do campeonato, olhando para trás, como você avalia a sua carreira?

Carlos Alberto de Nóbrega - Vejo que tenho a sorte de poder, aos 77 anos de idade, manter um programa com a audiência da 'Praça'. E sou uma exceção: não há outro 'escada' com um programa próprio. Geralmente quem tem programa é comediante.

Quem foi sua grande inspiração para começar a fazer humor? 

Carlos Alberto de Nóbrega - Meu pai foi o meu grande ídolo. Além dele, outros dois: Chico Anysio e Carlos Manga. Por sorte, foram três bons amigos. O Chico era um sujeito muito criativo. Mesmo em emissoras diferentes, a gente trocava os humoristas, ajudava quem estava precisando. O Manga é o melhor diretor que eu conheci: apontava o erro e mostrava como é que podia melhorar. E o meu pai tinha um carisma, uma empatia, uma personalidade muito grande. Tanto que o meu personagem na 'Praça' é diferente do dele, e de propósito, para evitar comparações. Ele era mais sério, só levantava a bola para o humorista chutar. Eu sou mais ativo, fico em pé, participo das esquetes.

Quais são os programas de humor que você mais gosta atualmente?

Carlos Alberto de Nóbrega - Acho que se existe um novo humor, é o do 'CQC' (Custe o Que Custar, da Band). Também gosto muito de 'A Grande Família', que faz rir sem palavrão, sem sacanagem, sem mulher de perna de fora. Minha preocupação é que 'A Grande Família' esteja ruim, já que a série passa no horário da 'Praça'. Também me divirto com a Mesa Redonda da TV Gazeta. Adoro futebol e acho os críticos engraçados: eles sempre sabem resolver todos os problemas que os técnicos, com todo aquele salário, não conseguem. 

Você admira 'A Grande Família' pelo humor sem apelação, mas a 'Praça' usa recursos como mulheres com roupas curtas. Como você lida com isso no programa?

Carlos Alberto de Nóbrega - Eu sou contra isso, mas sou obrigado a fazer. O público quer ver mulheres com pouca roupa. Lembro de um caso interessante. Quando começou a novela 'Pantanal', tinha cenas de mulheres tomando banho no rio. Levei isso para a 'Praça' e a audiência começou a cair. Procurei uma moça do Ibope e ela me explicou que a TV tinha um público para cada horário: até as 19h é das crianças, entre 19h e 22h é das mulheres e, só depois, dos homens. Eu estava fazendo um programa machista em um horário feminino. A audiência começou a subir quando coloquei homens bonitos e sarados no ar. Hoje a 'Praça' passa mais tarde e o público pede isso. Se eu fizer o humor que o meu pai fazia, eu não fico dois meses no ar. Ninguém mais quer rir da velha surda. 

Quais as diferenças entre fazer humor antigamente e fazer humor agora? 

Carlos Alberto de Nóbrega - Hoje é muito mais fácil. A edição é digital, você pode errar, voltar, refazer. Antes, era engraçado quem era e quem não era, não era. Quem não fizesse rir, dançava. Agora eu posso brincar, inverter piadas e deixar a melhor para o final. E a edição é bem mais rápida: faz-se em duas horas o que se fazia em sete.

Para você, qual é o limite do humor? 

Carlos Alberto de Nóbrega - Depende do programa. Tem coisas que o 'CQC' e o 'Pânico' (Band) podem falar, mas a 'Praça' não. É um programa que tem uma história, que o avô assistia com o neto. O nosso público não aceita determinadas coisas e este é o nosso limite. E há as coisas que eu não admito: ridicularizar negros ou religiões. Na 'Praça', o gay sempre leva a melhor nas esquetes. Temos que respeitar o público que nos assiste há tantos anos.

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