O otimismo do Copom

A Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada nos dias 20 e 21 de outubro, permite chegar à conclusão de que as autoridades monetárias não elevarão a taxa Selic nos meses que restam deste ano e dificilmente o farão no primeiro semestre de 2010, quando o Copom deverá ter uma composição diferente da atual e uma tendência menos ortodoxa.

, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

A ata insiste quanto aos efeitos demorados da política monetária e considera que as medidas adotadas nos meses anteriores produzirão pleno efeito nos próximos meses. Com isso, seriam neutralizadas as possíveis pressões inflacionárias, que poderiam decorrer de uma elevação dos preços das commodities, no momento em que arrefece a crise que afetou os países industrializados. Também seriam neutralizados os efeitos da melhoria da renda das famílias sobre os preços dos "não comercializáveis", isto é, dos serviços.

O Copom tampouco se preocupa com a robustez da demanda doméstica, pois leva em conta que a indústria deverá apresentar por muito tempo uma capacidade ociosa de produção, fato que parece ser corroborado pelo relatório trimestral da Confederação Nacional da Indústria, embora tenha se registrado, nas últimas semanas, uma rápida recuperação da Utilização da Capacidade Instalada (UCI). A médio prazo, os membros do Copom estão considerando dois riscos de pressão inflacionária: os efeitos da distensão das condições financeiras (ampliação do crédito a um custo menor) e os efeitos do "impulso fiscal", com as consequências que foram mais bem detalhadas no último Relatório de Inflação.

Esse último risco parece ser o maior, especialmente porque o Copom parte da hipótese de que o superávit primário será de 2% em 2009 e de 2,75% no ano seguinte. Recentemente, o governo voltou a manipular o cálculo desse superávit.

A evolução, neste ano, dos índices de inflação parece justificar o otimismo das autoridades monetárias que, aliás, partem de uma outra hipótese - uma taxa cambial de R$ 1,70 por dólar, que representa um fator importante de contenção dos preços.

Certamente não se justifica o mesmo otimismo para 2010, quando o governo federal, em campanha eleitoral, exercitará a sua vocação para a gastança. E o que se teme é que o novo Copom preste seus serviços ao governo, adiando o máximo possível uma decisão que autoridades monetárias responsáveis teriam de tomar.

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