O Pensador fica três anos no Palacete das Artes, na Bahia

São 62 obras originais do mestre francês exibidas a partir de hoje, em Salvador

Eliana Lima, SALVADOR, O Estadao de S.Paulo

26 de outubro de 2009 | 00h00

Após três anos de espera, um acervo de 62 esculturas originais do artista francês Auguste Rodin (1840-1917) será exibido no Palacete das Artes, um casarão de estilo neoclássico, do início do século passado, instalado no bairro da Graça, área nobre de Salvador, que foi recuperado e reformado para receber as obras da mostra Auguste Rodin, Homem e Gênio, que será aberta hoje. Esta é a primeira vez que peças originais de Rodin, considerado pai da escultura moderna, saem do Museu Rodin Paris para uma longa exposição fora da França, com duração de três anos.

Cedidas ao governo baiano em forma de comodato estão algumas das mais conhecidas esculturas do mestre como O Pensador, O Beijo e uma espécie de maquete da Porta do Inferno, um dos trabalhos mais famosos de Rodin. Os organizadores também queriam trazer uma versão em bronze da Porta, mas o custo elevado, em torno de 15 milhões, tornou o projeto inviável. Mas os seus admiradores poderão apreciar A Mulher Agachada, Cabeça de Mulher, Cristo e Madalena, Adolescente Desesperado, Pigmaleão e Galatéia, O Sono e A Danaide, entre tantas outras, todas de gesso.

Embora tenha declinado do projeto que previa a aquisição definitiva de algumas obras do autor, alegando outras prioridades, o secretário de Cultura do Estado, Marcio Meirelles, admite que, posteriormente, o museu deverá dar continuidade às exposições com novas coleções do artista. O acervo cedido é avaliado em 10 milhões. O investimento na exposição, custeado integralmente pelo governo baiano, por intermédio da Secretaria de Cultura, está estimado em R$ 1,5 milhão, volume de recursos que o secretário espera recuperar com a visitação. A expectativa é que a exposição receba um milhão de pessoas nos três anos. Até dezembro, o público poderá ver as obras gratuitamente.

As peças estão dentro de estruturas de vidro, não só para assegurar-lhes a integridade, mas também para que o visitante não se sinta tentado a tocá-las, diz a museóloga responsável Heloisa Helena Costa. Já no jardim que cerca a área externa do palacete estarão quatro réplicas, adquiridas pela Bahiatursa, empresa oficial de turismo do governo estadual. Na parte interna foi reproduzida uma pequena oficina, que tenta se assemelhar ao local onde o mestre dava forma à sua arte.

Para receber parte do acervo de Rodin, o imóvel passou por duas vistorias técnicas francesas. O governo baiano precisou atender a uma série de exigências contratuais referentes, sobretudo, à segurança da obra, além das garantias assumidas pelo Ministério da Cultura com o governo francês.

As exigências incluíam a montagem de uma programação paralela com mostras de curta duração de artistas modernos, além de oficinas para os públicos infantil, juvenil e da terceira idade. Do total investido, R$ 700 mil foram aplicados no transporte e no seguro. A secretaria não informa o montante investido na segurança do local, mas o secretário Marcio Meirelles garante que o Palacete das Artes é hoje o museu mais seguro da Bahia. Além da contratação de uma empresa de segurança, foi adquirido, segundo o diretor do museu, Murilo Ribeiro, um moderno sistema de monitoramento de toda a área interna e externa do casarão, com 70 câmeras e 200 sensores. "É um material valioso. A vinda dessa exposição não foi uma vitória apenas da Bahia, mas de todo o Brasil", diz Meirelles.

Nas últimas vezes em que obras de Rodin estiveram expostas no País apresentaram números expressivos de visitação. Em 1995, 183 mil pessoas foram apreciar 58 peças na Pinacoteca de São Paulo, o maior recorde de público em uma exposição nacional. Em 2001, em Salvador, mais de 50 mil pessoas conferiram uma mostra no Museu de Artes da Bahia.

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