O que a vida da videira diz do vinho

Biodinâmicos, orgânicos, naturais... Uma dessas palavras na roda de enófilos e a discussão começa. Paixões à parte, os chamados vinhos ecológicos ganham espaço nos melhores restaurantes. Saiba o que são - e entre na conversa

MARCEL MIWA, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2014 | 02h08

As dez maiores importadoras do País abriram espaço para eles. Os três principais restaurantes da cidade também - D.O.M., Maní e Fasano têm vinhos ecológicos em suas cartas. E esses são apenas alguns casos. Tintos, brancos e espumantes biodinâmicos, orgânicos e naturais estão ganhando importância no cenário brasileiro.

Na próxima semana, a Enoteca Saint Vinsaint fará a segunda edição de sua Feira de Vinhos Naturebas. É um evento pequeno, que reúne produtores e importadores e um público de pouco mais de 150 pessoas, bem menos que os quase mil convidados que se encontraram em 2010 na Casa da Fazenda para o Renaissance des Appellations, ciceroneado por Nicolas Joly, um dos líderes do biodinamismo na vitivinicultura.

Mas o interesse que despertou não deixa dúvidas de que a relevância dos vinhos ecológicos está aumentando - em ritmo lento, como pedem os naturebas, que fique claro, mas crescendo, sem dúvida.

Em outras palavras: aproveite o bom momento para entender, de uma vez por todas, o que há dentro de uma garrafa de vinho ecológico. Nem que seja mais pelo prazer de retórica, já que para ver o clima esquentar em uma mesa de enófilos basta lançar o tema que as bandeiras se agitam, acompanhadas do festival de chavões: "orgânicos são bons, mas muito caros"; "vinho natural é avinagrado"; "biodinâmica é mais fé que ciência".

Antes de levar a sério qualquer comentário disparatado, lembre-se que alguns dos mais cultuados nomes no mundo do vinho (como Romanée-Conti, Leflaive, Selosse, Coulée de Serrant e Pacalet) fazem parte do grupo de produtores de bandeira verde.

É difícil encontrar números concretos sobre esse mercado. Mesmo os vinhos orgânicos, um pouco mais populares, ganharam status oficial (normativas) só em 2012 na Europa. Definições sobre biodinâmicos e naturais ainda são raras e conflitantes em todo o mundo. E mais ainda no Brasil.

É arriscado dizer que dá para reconhecer no primeiro gole a maneira como um vinho foi elaborado, por mais experiente que seja o bebedor. Mas há características evidentes nos rótulos verdes - explicadas em detalhe nesta e na próxima página.

De maneira geral, biodinâmicos e naturais costumam ser menos concentrados e alcoólicos, e exibem maior frescor. Nos casos mais radicais, em que não há adição de SO2 e há teores mínimos de conservante, espere por menor potencial de guarda e tenha todo o cuidado ao armazenar a garrafa. São vinhos que pedem uma mente aberta ao serem degustados - não agradam a qualquer um. Mas, como prêmio, entregam autenticidade e consciência tranquila de consumir um produto com menos químicos, que causou menos danos ao ambiente.

Há um traço comum aos vinhos ecológicos: eles muitas vezes são túrbidos, o que não é defeito - a falta de transparência indica que a bebida foi pouco manipulada. Quando o assunto são vinhos de bandeira verde, portanto, impera a máxima do não julgue pela aparência.

De toda maneira, as bandeiras dos produtores não significam que o resultado seja bom. Orgânico, biodinâmico, natural ou convencional apenas definem o modo de produção.

Mesmo com essa turbidez no cenário, digna dos vinhos naturais, é certo que os vinhos ecológicos têm ganhado importância. E como a oferta é motivada pelo interesse dos consumidores, cada vez maior, o surgimento de novos rótulos é questão de tempo.

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