O que empurrou para baixo a taxa de investimento

Em queda desde o segundo trimestre de 2013, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu 4,4% em 2014 e está declinando em ritmo muito mais acentuado neste ano. A queda da FBCF supera a do conjunto da economia: o Produto Interno Bruto (PIB) deverá ceder 3,6% neste ano e 2,8% em 2016, segundo o boletim Focus do Banco Central – e são poucos fatores à vista para mudar esse estado de coisas.

O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2015 | 06h39

A área econômica do Bradesco estima que o declínio do investimento poderá atingir 14,5% neste ano e 10% em 2016. Sem indicar porcentuais para o conjunto da economia, o estudo Investimento e Recessão na Economia Brasileira 2010-2015, realizado com 761 empresas abertas e fechadas não financeiras e publicado há pouco pelo Centro de Estudos do Instituto Ibmec (Cemec), indica os elementos que mais pressionam para baixo a FBCF e que tornam mais difícil sua recuperação num ambiente de incertezas.

Primeiro, há uma estreita relação entre a redução de investimentos e a queda da poupança (lucros retidos) e da rentabilidade das empresas. O problema é mais grave na indústria de transformação e no grupo de companhias mais afetadas por políticas públicas, como Petrobrás e Eletrobrás – cujos preços foram represados –, e pelas usinas de etanol, pois o preço do álcool ao consumidor depende do preço da gasolina e as empresas não conseguiram repassar a alta do custo.

Nada menos de 50% da queda de investimento decorreu de políticas públicas erradas; outros 34% vieram da indústria de transformação.

Segundo, com queda de rentabilidade ou operando com prejuízo, as empresas não conseguiram reter lucros, sua principal fonte de investimento. Segundo o estudo, “a queda mais intensa ocorre nas empresas afetadas por políticas públicas, em que o lucro líquido positivo de 2010 (2% do PIB) é seguido de um prejuízo de 0,6% do PIB em 2014”.

Terceiro, embora os dividendos tivessem caído, estatais que perderam lucro aumentaram o porcentual do resultado distribuído em dividendos. Assim exauriram sua poupança para atender às necessidades de caixa da União.

Como notou o economista Claudio Adilson Gonçalez em artigo publicado no Estado (14/12), o estudo da Cemec tem o mérito de quantificar o estrago provocado nas grandes empresas pela política econômica do governo Dilma. Para voltar a crescer, o investimento dependerá da geração de lucros.

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