O que você faria se perdesse sua senha?

Muito cuidado com seu código de acesso: ele é a chave de sua vida digital

Filipe Pacheco Rodrigo Martins ,

31 de março de 2008 | 00h00

No e-mail pessoal, no e-mail do trabalho, no Orkut, no MSN, no site do jornal, na loja virtual, no celular, no cartão do banco (e no site do banco), no blog (e no microblog), no site de leilão, na lista de discussão... Você já parou para contar quantas senhas usa no dia-a-dia? Numa época em que tudo migra para o digital – de comunicação ao entretenimento, da informação ao financeiro –, decorar uma batelada de códigos alfanuméricos de acesso tornou-se um desafio. Pior: fazer com que sejam seguros virou missão quase impossível.Parece inacreditável. Em média cada internauta usa nada menos do que 25 serviços que exigem senhas para acesso. De acordo com uma pesquisa da Microsoft cada pessoa carrega consigo seis códigos de acesso diferentes. E enquanto usuários se atropelam para decorar uma quantidade crescente de combinações malucas com letras, números e símbolos, multiplicam-se também os riscos de ter dados pessoais e financeiros surrupiados por pessoas mal intencionadas.Não faltam estudos para apontar a tendência. A disseminação de programas maliciosos para fisgar dados pessoais na web, por exemplo, aumentou 50% em um ano, aponta o laboratório norte-americano PandaLabs. O roubo de senhas já vitimou 62% das empresas mundiais, divulgou o instituto Datamonitor. Nos EUA, a cada seis meses, 3% da população tem algum dado pessoal furtado na rede, diz o Departamento de Justiça do país."É um problema crescente", aponta o diretor para a América Latina da empresa de segurança Verisign. "Afeta de bancos a redes sociais. Para combater isso, são necessárias medidas de prevenção. E uma das principais é o usuário estabelecer uma senha segura. Ela precisa, ao mesmo tempo, ser fácil de lembrar e difícil de ser descoberta."Para o gerente de segurança da Microsoft Brasil, Djalma Andrade, a senha, ao lado do nome de login do usuário, deve ser encarada como a identidade do cidadão nos meios digitais. "É ela quem autentica o usuário. É como se fosse um RG, um CPF. Quanto mais importante for o serviço, como o bancário, mais complexa deve ser a senha. Mesmo assim, cada um, do e-mail ao messenger, deve ter a sua própria seqüência", completa.Ok. Senhas fáceis de lembrar, mas difíceis de descobrir; uma combinação para cada serviço... Complicado? "Tentei me organizar", conta o administrador de empresas Raoni Tortorella, de 34 anos. "Tinha uma senha para cada serviço na web, de e-mails a bancos. Como não conseguia me lembrar, coloquei tudo em um documento de Word protegido por senha. E não é que esqueci a senha do documento? Tive de recriar todas as senhas."A gerente operacional Rejane Bueno, de 29 anos, também passou por alguns maus bocados. Na empresa onde trabalha ela usa um software de financiamento compartilhado com todos. "Se digitar a senha errada por três vezes, ele fica bloqueado. E o pior é que bloqueia na empresa inteira. Eu sempre erro e sempre tem gente que vem me xingar. Já sabem que sou eu", ri. "É difícil lembrar de tantas senhas."Rejane não está só. Um estudo do instituto de segurança Ponemom, dos EUA, ouviu 540 pessoas e apontou que 88% já haviam esquecido a senha nos últimos dois anos a ponto de ter de procurar a companhia responsável pelo serviço para estabelecer uma nova. Mais: dentre esses, 41% tiveram de fazer isso quatro vezes ou mais no período.Por conta dessa dificuldade, o profissional de marketing Fábio Gianesi, de 24 anos, radicalizou: fez uma senha simples e usou em vários serviços. Resultado: se deu mal. "Descobriram a minha senha do (site de leilões) eBay", conta. "Um dia, recebi um e-mail afirmando que havia comprado um iPhone e a conta viria no meu cartão de crédito. Fui verificar com o site e descobri que haviam roubado a minha senha e comprado o aparelho na minha conta. Mas o site cancelou a compra."Além da senha em si, porém, há outras questões relacionadas. Com ameaças de crimes digitais é preciso atentar a como e onde se digita os seus dados pessoais. "PCs públicos, como lan houses, não devem ser usados para acesso a bancos", recomenda o gerente de Segurança do Banco do Brasil, Luiz Ferreira Martins. Segundo ele, é preciso desconfiar sempre – no banco, na internet e no celular.Nesta edição, o Link traz um dossiê sobre senhas para todos os gostos e necessidades: do celular ao Orkut e do cartão de banco ao blog. Entrevistamos especialistas, bancos, empresas de internet e de segurança para trazer um guia para você definir a senha mais prática e segura, além de aprender truques para evitar os larápios e não se perder no meio de tantos códigos secretos. Faça o login.

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