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O símbolo pagão do Natal cristão

 

Dias Lopes,

16 de dezembro de 2010 | 10h37

Uma enorme árvore de Natal foi erguida no início do mês no coração da Praça de São Pedro, no Vaticano. Mede 34 metros de altura e, como decoração, recebeu 3 mil bolas douradas e prateadas, 1.500 lâmpadas brancas e amarelas, faixas e fitas, além de uma estrela na ponta com luz intermitente. Tem 94 anos de idade, pesa cinco toneladas e, na verdade, é um pinheiro do gênero abier, conhecido por abeto ou abete, originário da Europa e da América do Norte, cultivado no Sudeste e Sul do Brasil para a fabricação do papel. Ficará o mês inteiro ali, sob as vistas do papa Bento XVI, que pode observá-la da janela do seu apartamento. Será desmontada depois do Dia de Reis, 6 de janeiro.

A Igreja Católica foi a última das religiões cristãs a aceitar a árvore como símbolo do Natal. Sua incorporação provocou discussões. Mas a demora tem motivo claro. Às vésperas do solstício de inverno ? quando o Sol atinge a maior distância angular em relação ao plano que passa pela linha do Equador ? os pagãos instalados no nordeste da Europa, sobretudo nos atuais territórios da Lituânia, Letônia e Estônia, iam aos bosques para cortar pinheiros e levá-los inteiros para casa. Enfeitavam-nos com guirlandas, ovos pintados e doces, mais ou menos como fazemos agora. A seguir, festejavam as colheitas do ano, com as quais enfrentariam os duros meses do frio, e adoravam seus deuses. A celebração ocorria em torno dos dias 22 e 23 de dezembro, período do solstício.

A Igreja Católica tentou acabar com essa cerimônia mágica, sem êxito inicial. Então, o papa Júlio I (337?352) teve uma ideia brilhante. Como era impossível fixar a data do nascimento de Jesus, pois nenhum dos 27 livros do Novo Testamento se refere ao fato, ordenou aos cristãos do século 4º que festejassem o Natal a 25 de dezembro. Tomou a decisão amparado em pistas fornecidas pelos textos sagrados, fazendo a celebração cristã ocupar o lugar da festa pagã.

Só a tradição da árvore resistiu, circunscrita aos territórios situados acima do Reno e mais tarde os cristãos capitularam a ela. Foi a população de Riga, capital da Letônia, que montou o primeiro pinheiro para o Natal, em 1510. Dali a tradição alcançou a Alemanha. Segundo Franco Busti e Laura Rapelli, no livro Festeggiamo il Natale (Edizioni Gribaudo, Milão, 2010), "é comprovado que em 1605 já se decoravam árvores na Alsácia para as festas natalinas". Na Inglaterra, a novidade chegou no século 17, quando o duque alemão Ernesto Augusto casou com Sofia, neta do rei Jaime II. Um dos filhos do casal subiu ao trono britânico com o nome de Jorge I e iniciou a casa real de Hannover, da qual fez parte a rainha Vitória, entusiasta da árvore de Natal.

Confira a receita:

linkTronco de Natal

Na convicção pagã, a árvore representava a vida por se enraizar no chão e projetar-se verticalmente. Faria uma ligação simbólica entre a terra e o céu. Hoje, segundo ressaltam os autores de Festeggiamo il Natale, as cores da decoração natalina têm para os católicos profundos significados. "O vermelho simboliza o amor, a paixão, mas também o sacrifício de Cristo", lembram. "O azul evoca o céu e o espírito, além de ser a cor do manto de Maria." O branco lembra a neve do inverno do Natal no Hemisfério Norte, assim como a pureza. O ouro, um dos presentes oferecidos pelos Reis Magos, traduz a sacralidade. O prata se refere à transformação do mundo e do homem pela fé cristã. Já o marrom do tronco evoca a madeira da cruz de Jesus, enquanto o verde representa a esperança de salvação. Na Polônia, um dos primeiros países católicos a adotar a árvore de Natal, a tradição ingressou por influência da Alemanha. Coincidentemente, o primeiro pinheiro na Praça de São Pedro foi mandado instalar em 1982 por João Paulo II, o papa polonês.

 

 

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