O suntuoso sonho de garoto de John Woo

Batalha dos Três Reinos tem versão original maior, mas diminuiu para o Ocidente

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

Numa entrevista por telefone, concedida anos atrás ao Estado - sobre Códigos de Guerra -, John Woo comentara seu desejo de contar a batalha dos três reinos. Garoto, na China, ele lia a versão em quadrinhos do Romance dos Três Reinos. Como disse, "admirava os heróis, que encarnavam o espírirto da Cavalaria. Eram bravos, leais e espertos." Adulto, Woo foi aos livros e gostou particularmente do volume dedicado à batalha da Red Cliff (Falésia Vermelha). Seu sonho passou a ser transformar a batalha num grande filme. Ele chegou a pensar que conseguiria fazê-lo em 1986, após Alvo Duplo (A Better Tomorrow), mas faltaram-lhe os meios. Finalmente, há três anos, Woo conseguiu fazer Red Cliff. O filme permanece como a mais cara produção do cinema chinês, mas a extensão do projeto original foi considerada excessiva para os padrões originais e o cineasta teve de fazer uma adaptação para o Ocidente.

Com 150 minutos de duração, A Batalha dos Três Reinos é uma atração especialíssima, hoje, na Mostra. Existem críticos que se arrepiam só de pensar no cinema como diversão. Pior para eles. Negam vertentes riquíssimas da informação e da cultura, desde as milenares Ilíada e Odisséia de Homero até as tragédias gregas e, bem mais tarde, as peças de Shakespeare. É possível, sim, cultivar o espetáculo e ser reflexivo. John Woo que o diga.

O filme passa-se no começo do século 3, quando o território de Wu é invadido pelos guerrreiros do clã Cao Cao. Eles se contam aos milhares e Wu pede ajuda a um antigo rival, Liu Bei, mas nem unidos os Exércitos conseguem enfrentar a ameaça. O estrategista Zhou Yu descobre o ponto fraco das forças de Cao Cao e leva a batalha para o mar. Pode-se imaginar o agora maduro John Woo realizando seu sonho de garoto. A suntuosidade cênica nos interiores, a violência dos combates, os efeitos visuais, tudo é grandioso na Batalha dos Três Reinos. Mas, na essência, como em Shakespeare, os príncipes e generais são humanos e lidam com instintos e sentimentos primitivos. Amor e ódio, amizade e vingança, dever e honra. O resultado é deslumbrante. Tony Leung, Takeshi Kaneshiro e Zhang Fengy estão no elenco.

Serviço

A Batalha dos 3 Reinos (China, 150 min.)

Unibanco Arteplex 1 - Hoje (sábado), às 22h

Unibanco Arteplex 4 - Domingo, às 21h10

Cinema da Vila - 4.ª, 19h50

Cine Bombril 1 - 5.ª, 19h40

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