'O tempo está se esgotando' para o Brasil, diz organizador da Copa sul-africana

Danny Jordan defendeu, em Doha, que o país resolva as questões internas o quanto antes para cuidar do mundial.

Júlia Dias Carneiro, BBC

14 Março 2012 | 12h07

Mudanças na liderança da Copa de 2014 e desavenças entre o Brasil e a Fifa precisam ser resolvidas "o mais rápido possível" para que o país possa avançar na organização do mundial. A opinião é de Danny Jordaan, responsável pelo evento em 2010, na África do Sul.

"O tempo está se esgotando. O tempo não para e, portanto, é preciso avançar nas questões que precisam de atenção urgente", disse Jordaan à BBC Brasil, em Doha, durante a 2ª Conferência Internacional em Segurança no Esporte.

Jordaan lembrou que a Copa das Confederações será em junho do próximo ano e que no fim de 2013 serão sorteadas as partidas do mundial. "Depois disso, são só seis meses até a Copa."

Após meses de pressão e especulação sobre sua possível saída, Ricardo Teixeira anunciou segunda-feira sua renúncia ao Comitê Organizador Local da Copa de 2014 (COL) e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), cuja presidência ocupava desde 1989.

Seu sucessor na CBF, José Maria Marin, herda o comando do COL, que divide com os dois jogadores nomeados por Teixeira em novembro, Ronaldo e Bebeto. Desde então, ambos já dividiam com Marin o Conselho Administrativo do comitê.

'Situação no Brasil'

As acusações de corrupção que levaram à renúncia de Teixeira reverberaram em Doha, no Qatar, na conferência organizada pelo Centro Internacional de Segurança no Esporte (ICSS), iniciada nesta quarta-feira.

No painel de abertura de evento não se falou no nome de Teixeira. Mas a "situação no Brasil" foi citada pelo vice-presidente de integridade do Banco Mundial, Leonard McCarthy, ao fazer referência à corrupção no mundo dos esportes. "Veja o que está acontecendo no Brasil", disse.

McCarthy disse que foi chamado a viajar ao Brasil em agosto, sem especificar se pelo governo ou pelo COL, para prestar consultoria sobre integridade no esporte e liderança no evento.

McCarthy afirmou que o país precisa ter contratos mais robustos nos projetos para o mundial, sobretudo para as obras de infraestrutura contratadas.

Ele não entrou em mais detalhes sobre o caso brasileiro, mas ressaltou a importância de se adotarem ações para erradicar a corrupção em entidades esportivas e aconselhou países e entidades a reagirem rapidamente para esclarecer acusações de corrupção, "assim que aparecerem".

"Sejam verdadeiras ou não, alegações de corrupção que saem na mídia geram um barulho e comoção por si próprios", assinalou.

Planejamento antecipado

Presidente do Comitê Organizador da Copa da África do Sul em 2010, Jordaan ressaltou a importância do planejamento antecipado para maximizar o legado deixado por uma Copa do Mundo.

Em 1994, mesmo ano em que Bebeto conquistava o tetracampeonato brasileiro na seleção, Jordaan começava sua luta para levar a Copa do Mundo para a África do Sul. "Passamos de 1994 a 2010 nos preparando para a Copa", diz Jordaan.

A nova liderança do COL tem pouco mais de dois anos pela frente. Enquanto o Brasil aguarda a aprovação da Lei Geral da Copa - que pode ser votada nesta quarta-feira - a África do Sul havia aprovado a sua cinco anos antes do mundial, em 2005.

Perguntado sobre as desavenças entre a Fifa e o governo brasileiro, Jordaan disse que essa questão precisa ser resolvida logo para viabilizar a organização dos jovens.

"Você tem três componentes, o governo, a Fifa e o comitê organizador. Nenhum dos três pode sediar a Copa do Mundo sozinho", disse, ressaltando a necessidade de um trabalho integrado.

Para ele, o país deve superar o atual momento, cujo foco está em problemas internos.

"Acho que o desafio agora é sair o mais rápido possível dessa situação em que o Brasil está lidando consigo próprio e avançar para as questões necessárias para se tornar um anfitrião para o mundo", disse Jordaan. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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