O trabalho de formiguinha da cantora Mariana Baltar

O segundo disco, quatro anos depois do elogiadíssimo Uma Dama Também Quer se Divertir, leva o seu nome e faz mistura de mestres com jovens compositores

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

10 Março 2010 | 00h00

RIO

Já faz quatro anos desde que Mariana Baltar lançou Uma Dama Também Quer se Divertir, o CD com que estreou e que lhe rendeu boas críticas, admiradores e uma indicação, como revelação, ao Prêmio TIM de Música. A cantora e bailarina carioca dá agora seu nome ao segundo disco, em que, mais uma vez, mistura mestres (Assis Valente, Paulo César Pinheiro, Nei Lopes, Wilson Moreira) e jovens compositores, como os amigos Thiago Amud e Edu Kneip. Os dois assinam, com parceiros, quatro das 12 faixas.

A mescla é uma forma de Mariana escancarar suas intenções: olhar para trás, gravar o que julga merecedor de um novo registro e também dar voz a seus contemporâneos. "São compositores especiais, que ainda vão dar o que falar", justifica, falando de Thiago e Edu, seus companheiros dos Sonâmbulos, grupo que Mariana passou a integrar dois anos atrás e que apresenta um repertório só de inéditas. "Eles começaram no (bar da Lapa) Semente. Um dia eu fui assistir, adorei e perguntei se podia entrar", conta.

Tudo à Toa (Edu/Mauro Aguiar) Mariana cantava nesses shows com a dupla. Sonâmbulo (Edu/Thiago) costumava ser a música de encerramento. Canções de Menina (Thiago/Pedro Moraes) foi uma encomenda: a cantora queria uma música com o vocabulário feminino.

Maldita Cancela (Delcio Carvalho/Osório Peixoto) ela pegou emprestado do repertório do cantor Lucio Sanfilippo, seu companheiro na gravadora Zambo Discos, na qual se lançou - Mariana transferiu-se para a Biscoito Fino.

O jovem violonista Julião Pinheiro, filho de Paulo César Pinheiro, musicou letra do pai, e deu em Tanto Samba. Duas parcerias de Nei Lopes, Tia Eulália na Xiba, com Cláudio Jorge, e Jongo do Irmão Café, com Wilson Moreira, foram tiradas do disco de Nei Negro Mesmo (1983). Também são regravações Teco-Teco (Pereira da Costa/Milton Villela), sucesso de Ademilde Fonseca na década de 50 e de Gal Costa na de 70, e Uva de Caminhão, de Assis Valente, que Carmen Miranda eternizou em 1939.

Assis, como Cartola, Hermínio Bello de Carvalho, Elton Medeiros e Billy Blanco, estava em Uma Dama Também Quer se Divertir. Aquela era uma época em que Mariana trabalhava pela recuperação do sobrado da Rua do Teatro, no centro do Rio, que viria a se tornar o Centro Cultural Carioca, casa de shows de música popular brasileira.

"Eu estava ligada à questão do resgate, e regravei muitas coisas", rememora Mariana. Era o primeiro CD, as dúvidas eram imensas. Cada faixa soava totalmente diferente das outras. Desta vez, "a unidade está na sonoridade". Os arranjos são de Josimar Carneiro (seu marido e produtor do CD), Jayme Vignoli, Marcílio Lopes e Luiz Flavio Alcofra. Os quatro são do Água de Moringa, conjunto instrumental dedicado ao choro. Os outros integrantes do grupo, Rui Alvim (clarinete) e André Boxexa (bateria) também tocam em praticamente todas as faixas.

Aos 36 anos, a cantora se sente mais madura. Contente com as críticas elogiosas, mantém-se em constante aprendizado. "O trabalho é de formiguinha." O lançamento será no dia 16 no Teatro Rival, no Rio; em abril, Mariana se apresenta no Sesc Pompeia, em São Paulo.

Ouça a faixa Tanto Samba

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