O último adeus ao Nobel português

Depois de ser levado de Lanzarote, nas Ilhas Canárias, para Lisboa, corpo do escritor José Saramago será cremado na manhã de hoje

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2010 | 00h00

O corpo de José Saramago, que morreu anteontem aos 87 anos, após falência múltipla dos órgãos em decorrência de problemas pulmonares e de uma leucemia crônica, será cremado hoje, às 8 horas (horário de Brasília), em cerimônia civil no cemitério lisboeta de Alto de São João, segundo informou a fundação que leva o nome do escritor.

As cinzas serão depositadas em sua cidade natal, Azinhaga, no Alentejo, e na casa em que ele vivia em Tías, em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, desde 1993.

O avião C130 da Força Aérea portuguesa, que levava o corpo, onde também estavam familiares e autoridades portuguesas, chegou ontem ao aeroporto Figo Maduro, nos arredores de Lisboa, por volta das 9h45, procedente da ilha espanhola de Lanzarote, onde faleceu o escritor.

Na chegada ao aeroporto, o corpo foi recebido com homenagens militares por membros do governo e de outros países de língua portuguesa (Angola e Moçambique). No avião, viajaram a ministra portuguesa de Cultura, Gabriela Canavilhas, a viúva do escritor, a jornalista e tradutora espanhola Pilar del Río, a filha do casamento anterior do Nobel, Violante, familiares, amigos e seu biógrafo. O secretário-geral do Partido Comunista de Portugal, Jerónimo de Sousa, também presente no aeroporto, elogiou a "dimensão intelectual, artística, humana e cívica" do autor.

Um cortejo fúnebre transferiu o corpo do Nobel até a Câmara Municipal da capital, cujo salão de honra foi preparado para receber o velório, onde permaneceria por aproximadamente 24 horas para receber a homenagem de amigos, intelectuais, membros do Partido Comunista, ao qual Saramago foi filiado, e personalidades portuguesas. Na chegada do caixão, coberto por uma bandeira de Portugal, por volta das 10h40, cerca de 200 pessoas aplaudiram do lado de fora do prédio.

O escritor mexicano Carlos Fuentes, de 81 anos, ganhador do Prêmio Cervantes em 1987, declarou ontem ao jornal Reforma que Saramago "era um escritor muito produtivo, que escrevia muito, com grande alegria e muita raiva. Havia muita fúria nele. E que bom, porque se enojava dos filhos da puta".

No velório realizado anteontem, ainda na ilha espanhola, mais de mil pessoas deram seu último adeus ao escritor. Estavam presentes o biógrafo de Saramago, Fernando Gómez Aguilera, o escritor Juan Cruz e os prefeitos de Tías e Faria.

O governo português declarou dois dias de luto nacional. Uma delegação espanhola liderada pela vice-primeira-ministra da Espanha, Maria Teresa Fernandez de la Vega, chega hoje à Lisboa para prestar a última homenagem ao escritor. / Com EFE

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