Obama deve tomar iniciativa para acordo de Doha, diz Lula

Segundo o presidente, países estiveram muito perto de fechar acordo, mas fim de mandato de Bush prejudicou

Reuters,

19 Janeiro 2009 | 09h40

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta segunda-feira, 19, que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, inicie um esforço a fim de concluir a Rodada de Doha para a liberalização do comércio global.  Veja também:De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  Para Lula, os países que integram a Organização Mundial do Comércio (OMC) estiveram a um milímetro de fechar um acordo. No último momento, no entanto, disse o presidente, não havia mais disposição política do governo George W. Bush, que estava no final do mandato. Obama toma posse na terça-feira.  "Era importante que o presidente Obama tomasse outra vez a iniciativa para que nós pudéssemos concluir o acordo de Doha, porque seria uma ajuda enorme neste momento de crise para os países mais pobres, sobretudo para aqueles que têm a agricultura como base da sua economia", afirmou Lula em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente.  O desentendimento de países desenvolvidos e em desenvolvimento sobre o comércio de produtos agrícolas levou as negociações da Rodada de Doha a um impasse em meados do ano passado.  Lula disse também esperar que o próximo presidente americano ajude na construção de um processo de paz entre israelenses e palestinos, que depois de aproximadamente três semanas de conflito anunciaram separadamente no fim de semana uma trégua. "Um acordo no Oriente Médio depende muito da política americana", comentou Lula.  Para o presidente brasileiro, além de ter para a América Latina um olhar "democrático" e "desenvolvimentista", Obama deve criar uma "política preferencial" em sua relação com a região.  Lula voltou a pedir o fim do bloqueio dos EUA a Cuba: "Não há nenhuma explicação científica ou política para que continue o bloqueio".  O presidente revelou ainda ter a expectativa de que o futuro governo americano assine o Protocolo de Kyoto com o objetivo de somar os esforços no combate ao aquecimento global e amplie o diálogo com o Brasil sobre a produção de etanol.  "Esse (etanol) é um assunto que estará na pauta do Brasil e dos EUA a partir de agora eu acho que com muito mais ênfase do que teve no governo passado, porque em todo discurso de campanha o Obama foi mais palatável e mais flexível com relação à questão ambiental", concluiu Lula.

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