Obama diz que atacaria Al-Qaeda sem aval do Paquistão

Pré-candidato à Casa Branca diz que EUA devem agir se país não atacar extremistas.

BBC Brasil, BBC

01 de agosto de 2007 | 19h00

Um dos principais pré-candidatos democratas à Presidência dos Estados Unidos, o senador Barack Obama, disse nesta quarta-feira que autorizaria um ataque americano em território paquistanês contra membros da Al-Qaeda mesmo sem a autorização do governo do Paquistão."Há terroristas escondidos naquelas montanhas que assassinaram 3 mil americanos. Eles estão planejando atacar de novo", disse Obama, ao justificar sua posição, em um evento em Washington. "Foi um erro terrível não agir quando tivemos uma chance em um encontro da liderança da Al-Qaeda em 2005", acrescentou. "Se tivermos dados de inteligência sobre alvos terroristas importantes que demonstrem que uma punição é necessária e o presidente (do Paquistão, Pervez) Musharraf não agir, nós agiremos."Segundo o correspondente da BBC em Washington Jonathan Beale, as declarações do senador têm o objetivo claro de ganhar pontos na opinião pública dentro dos Estados Unidos.Musharraf e o Paquistão se tornaram um aliado-chave dos Estados Unidos no esforço liderado pelo governo americano contra grupos extremistas internacionais lançado após o 11 de Setembro.As declarações de Obama foram criticadas pelo Ministério do Exterior paquistanês, que disse que o senador não deveria tentar obter lucro político explorando questões delicadas.O porta-voz da Casa Branca também defendeu o Paquistão, reconhecendo os esforços do país no combate a militantes do Talebã em suas fronteiras.Mas outras autoridades americanas criticaram publicamente o governo paquistanês, afirmando que o país permitiu que ativistas da Al-Qaeda e do Talebã voltasse a se organizar em áreas tribais na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão."Como presidente, eu tornaria condicionais centenas de milhões de dólares em ajuda militar americana ao Paquistão", disse Obama nesta quarta-feira. "E eu tornaria claras nossas condições: o Paquistão precisa ter progresso substancial no fechamento de campos de treinamento, expulsar militantes estrangeiros e evitar que o Talebã use o Paquistão como base para realizar ataques no Afeganistão", acrescentou o democrata.De acordo com Beale, existe o perigo de que as declarações de Obama sejam utilizadas contra ele por seus oponentes na corrida pela Casa Branca.Em julho, durante um debate de pré-candidatos, a principal adversária do candidato no Partido Democrata, a senadora Hillary Clinton, disse que Obama é "ingênuo" quanto à política externa.Durante o debate, Obama havia dito que se encontraria com líderes de países como Cuba, Síria e Irã sem impor condições.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.